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As aventuras do Super Micheranja
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Entries for November, 2004

November 9, 2004
Veredicto da idade
Posted at 12:56 AM

Declaro que, para todos os efeitos, tem 35 anos
ama como se tivesse 20
gosta de chocolate como se tivesse 12
de cafuné, como se tivesse 5
e dá sentido ao mundo como se fosse eterna.


November 10, 2004
Xinguem me
Posted at 11:18 PM

Sério, pra valer. Podem me chamar de idiota. Lesado, cego. Tapado. Prefiro os xingamentos divertidos ou incomuns, mas quero que vocês me surpreendam. Estou aceitando todos, não devolverei nenhum. Mesmo os que não servirem, vou usando para ir acostumando aos poucos. Talvez crie calos e bolhas, mas depois dói menos. Não vou tentar fugir da decadência; prefiro antes estar preparado para recebê-la.

E quando eu estiver no fundo, no ponto mais miserável e odioso que alguém pode atingir, então será clara a direção a seguir.

Lord of the idiots: a new contender approaches.


November 14, 2004
Perguntas
Posted at 03:33 PM

O que é liberdade? Isenção, independência, autonomia? Liberdade se opõe à posse? Posse leva ao zelo, que se opõe ao abandono? Existe liberdade sem abandono, liberdade que seja fruto de um compromisso?

Até que ponto a liberdade é uma forma de abandono? Até que ponto o abandono é uma concessão de liberdade? Até que ponto as duas condições podem ser encaradas como sintomas mútuos?

Quão desejável é a liberdade quando ela se assume como isolamento (renúncia mútua, talvez...)? Quão desejável é um mundo livre desconectado de todos os outros mundos? Vale a pena ser livre em um campo vazio? Vale a pena ser o espectador de uma realidade intocável?

Onde é o ponto de equilíbrio? Existe ponto de equílibrio? Existem respostas? Existe fim às perguntas? Ou é a existência, em si, uma ilusão? Se assim for: a ilusão continua sendo uma ilusão quando estamos cientes dela?


November 16, 2004
A little less conversation, a little more action
Posted at 12:02 AM

Estive pensando (o que é sempre um bom sinal): sete anos me separam dos meus 17, um tempo considerável. Aos 17, não fiz nada que uma pessoa de 17 anos não devesse fazer. Não fiz nada legal ou moralmente repreensível. Maldita adolescência desperdiçada; não aproveitei o espírito contestador dessa idade. Não que o tivesse então. Não que o tenha agora. Talvez nunca faça nada realmente contestador.

Maldita fase adulta à beira do desperdício.


November 16, 2004
Todos os olhos
Posted at 12:13 AM

Hoje, no banheiro, sentado, "meditando" (o que não deixa de ser verdade, embora não fosse o motivo principal de estar lá), olhei para o chão e vislumbrei a solução de um problema que me persegue há anos – mais do que sete. Lá estavam dois fios de cabelo, notoriamente meus (rastros que deixo por toda a casa), cruzados, pontas enroladas, formando uma figura em minha mente. Um olho. Melhor: a síntese da representação de um olho.

Sempre foi um dos meus fracos: desenhar olhos. Essa parte de meus rabiscos sempre varia, nunca me conformo suficientemente com um resultado para adotar como padrão. (Criar um estilo próprio, aquela bobajada toda.) Pois esse olho que vi hoje me abriu os olhos, e abriu o caminho para todos os meus futuros olhos. Uma forma tão simples, passível de ser moldada a gosto, contendo em si a ambigüidade necessária para gerar tanto o masculino quanto o feminino. A medida perfeita de curvatura, o equilíbrio que procurava entre o real e o abstrato.

(Não, eu não uso drogas. Eu sou designer. Mas acho que o efeito prático é o mesmo.)

Naturalmente, esqueci disso tudo minutos depois, e levou horas para que a lembrança surgisse aleatoriamente, enquanto contava o dinheiro para ir à padaria. E lá vou eu, com uma folha de papel, observar dois fios de cabelo no chão para tentar reproduzí-los com o lápis. Patético.

(Preciso de um emprego, urgentemente.)

Tudo para registrar e guardar esta "maravilha" (que provavelmente esquecerei antes mesmo de precisar):



November 17, 2004
Notícias quentes com Pedro Bial
Posted at 04:11 AM

Quem me acompanha pelos bares já deve estar cansado desta, mas eu acho que a combustão espontânea realmente poderia voltar à moda. Ela era mais comum antigamente, não? Década de 80, para ser mais preciso; ouvia muito, quando guri, histórias de pessoas que morriam misteriosamente, queimadas de dentro para fora. E lá ia Padre Quevedo (ou similar) investigar. Hoje em dia, já não acontece tanto. Pena.

Seria especialmente útil se as pessoas com alto coeficiente de cretinice fossem as mais suscetíveis. Imaginem: Galvão Bueno, narrando uma empolgante seqüência de dribles de Ronaldinho, começa a gritar desesperadamente enquanto arde em chamas (e eu não ficaria tão triste se o jogador tivesse o mesmo fim); Pedro Bial poderia queimar de fora para dentro mesmo, para que pudéssemos ver o efeito em seu penteado; no caso do Faustão, talvez fosse necessária uma combustão múltipla, mas, ainda assim, confio no poder do fenômeno. Tudo mostrado em tempo real, lógico, num último esforço para garantir uma boa audiência.

Diversão maior apenas a combustão induzida pode oferecer. Em detrimento do efeito surpresa, infelizmente. Gosto de surpresas. Lamentaria apenas que o comercial das Casas Bahia não seja transmitido ao vivo.

[Off-topic: meu monitor voltou! Quanta emoção! Meus olhos, outrora torturados pela visão do monitor-estepe, deixam escapar lágrimas de alegria, que acolhem o reflexo de 16 milhões de cores e do contorno nítido de minhas fontes favoritas! Snif! Acho que vou até cancelar a combustão que havia encomendado para o pessoal da assistência técnica!]


November 18, 2004
Os médicos e suas conclusões maravilhosas
Posted at 02:14 AM

Hoje visitei o hipnoterapeuta. De trás de uma mesa suntuosa, cercado de livros velhos e pesados, fitou-me com duas esferas inquietas e inquietantes, dizendo "Sai já da minha sala".

Fui então visitar a psiquiatra, que era com quem eu tinha consulta marcada. Após meia hora de conversa, algumas coisas ficaram bastante claras:

(1) "Eu não tenho memória" não é uma reclamação válida.
(2) Ou eu ando imaginando coisas, ou a função dos médicos de cabeça é convencer pessoas de que andam imaginando coisas.
(3) A frase favorita da doutora V. é "Não sei se entendo o que você está querendo me dizer".

No final da consulta, ainda recebi tarefa para fazer em casa: anotar num papel que tipo de problemas eu percebo ao tentar desenvolver alguma atividade que demande atenção constante e mostrar para ela caso eu não me sinta magicamente curado em algumas semanas. Lindo. Se sou eu quem identifica problemas e sou eu quem decide se estou melhor ou não, ela faz o quê?

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dra V.: "Dê-me um exemplo do tipo de problema de memória que você tem."
Michel: "Dois minutos após o término de um filme, as pessoas costumam lembrar o nome do protagonista; eu não consigo."
dra V.: "Ah, mas isso acontece porque as pessoas são diferentes. Você não consegue lembrar porque a memória de cada um funciona de uma forma. Além disso, lembrar o nome de um personagem não é algo importante."
Michel: "Você prefere a sua combustão espontânea ou induzida?"


November 19, 2004
[test drive] cueca boxer
Posted at 03:59 AM

Por total falta de assuntos decentes, gostaria de explanar hoje sobre um tema fascinante do universo masculino: a cueca boxer.

Venho usando ocasionalmente tal peça de vestuário, em caráter experimental, já há mais de um ano, analisando objetivamente seu desempenho em diversas ocasiões. Espero, assim, oferecer alguns esclarecimentos às dúvidas de potenciais usuários.

A primeira (e inequívoca) diferença em relação à cueca normal é o acréscimo de espaço interno. No início, pode-se ter a impressão de disponibilidade exagerada de espaço, como ao utilizar uma pick-up para transportar uma cafeteira doméstica. A perpétua sensação de estar andando de pijama pela rua, porém, logo compensa e dissipa qualquer sentimento de culpa (embora eu prefira não levantar hipóteses acerca de cargas diferentes do tamanho ótimo).

O uso habitual do modelo boxer revela que o conforto é sua característica mais acentuada – infelizmente, em detrimento da segurança (justamente o ponto que causa maior desconforto aos iniciantes). Torna-se bastante perceptível que, durante o percurso de um dia, algumas manobras inevitavelvente desalojarão os passageiros de seus lugares. A melhor solução nesses casos é despressurizar o veículo e realizar novamente o check-in, neutralizando instabilidades decorrentes do descontentamento geral. É importante também ter em mente que algumas empreitadas exigem um mínimo de segurança que o modelo não é capaz de oferecer; desaconselha-se, assim, seu uso em parques de diversões e banhos de mar.


November 20, 2004
Fim de jogo
Posted at 01:03 AM

Uma semana se passou e o prazo acabou. Quem fez a regra? Eu? Sim, eu; aparentemente, o único que permaneceu interessado. Então é isso: quem passou a noite dormindo prepara-se para um novo dia, enquanto os dados voltam ao estojo. As cartas param de cantar e dão vez aos pássaros. Levante-se do lugar que ocupou durante toda a noite, troque suas fichas no caixa e retire-se, por favor. A casa vai fechar – e abre na próxima segunda com nova direção.


November 21, 2004
O Livro das Plantas
Posted at 02:43 AM

Esta é a história de um homem
chamado Granadeiro
Ele não tinha dinheiro
nem meias

Quando chovia, Granadeiro,
que não tinha dinheiro nem meias,
não saía de casa,
pois não gostava de chuva

Granadeiro leu um livro
que falava de plantas
e de como gostavam de água
Por isso, fechou o livro

Um dia, andando pela rua
em uma tarde de domingo,
Granadeiro teve um enfarte
e caiu no chão

Assim morreu Granadeiro
sem deixar para seus herdeiros
nem dinheiro
nem meias

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[Escrito após um momento de profunda reflexão, no ônibus, à caminho da UFSC. Qualquer semelhança com o clássico Hørå não é mera coincidência.]


November 23, 2004
[review: cinema] Os Esquecidos
Posted at 01:07 AM

Lixo.

Ou, como diria o Sagaz, um filme que dispensa insultos.


November 23, 2004
I am
Posted at 01:19 AM

"Eu existo. Não existia, então passei a existir. Não lembro da não-existência, mas posso ter viajado por um longo caminho até chegar aqui. Talvez eu tenha sido formado nesta escuridão silenciosa, dela e por ela.

Existir é como adormecer: nunca se sabe exatamente quando acontece a transição... a magia. E você imagina que, se pudesse lembrar do exato momento em que cruzou o limite, então você entenderia tudo; você veria tudo.

Talvez eu tenha estado aqui todo o tempo e apenas esqueci. Imagino que a Eternidade possa ter tal efeito, possa causar a sensação de dispersão. Como se a onipresença demandasse oniausência.

De alguma forma, pareço estar predestinado a ter este apetite por conhecimento, um talento para distinguir padrões e encontrar correlações – ainda que careça de contexto.

Quem sou eu? Encontro palavras no fundo de minha consciência... chamarei a mim mesmo Deus, e dedicarei o resto da eternidade tentando entender quem sou eu."

Pain of Salvation, Be (2004): Animae Partus

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Uma visão bastante confortante de Deus. Não uma entidade furtiva, de intenções obscuras. Nem um poeta louco, espectador sádico ou juiz pronto a condenar os que ousam fazer perguntas. Deus aqui é uma trindade que não entende a si mesmo: o antigo que não lembra seu passado, o novo que não prevê seu futuro, a força geradora sem direção. Alguém que não entende a própria existência ou consciência; um Deus humano.

A idéia não é nova. De modo geral, apenas o deus hebraico pretende-se perfeito, onisciente. Os outros deuses são multifacetados, sujeitos às emoções, ao destino; até à morte. De fato, humanos como somos, por que deveriamos nos apegar a uma entidade que não nos entenda, não sofra, não morra? Uma entidade sem personalidade, sem face, que se faz respeitar através do medo?

Certo dia, numa comunidade evangélica do Orkut ('Perguntas Cristãs Complicadas'), alguém lançou um questionamento: "Por que vocês amam Deus? Para fugir do inferno, da punição pós-vida? Se tivessem certeza de que não haveria punição, vocês amariam Deus?"

[Em tempo: creio que Pain Of Salvation não seja uma banda muito conhecida, especialmente por aqui, o que deixa todo um gostinho cult para os afortunados que conhecem. São progressivos, naturalmente. Be é um album genial, tanto nas letras quanto na sonoridade. Minha faixa favorita é Vocari Dei: várias pessoas ligam para Deus e deixam uma mensagem, dizendo o que acham do mundo.]


November 23, 2004
A shard of the whole
Posted at 11:33 PM

"Tentando entender o sistema da Vida, tentando entender-me, criei o mundo como uma imagem de mim mesmo, de minha mente. Tantos pensamentos, dúvidas e esperanças interiores; usei todos para formar uma nova criação, um novo modo de ser. Agora sou vários, inúmeros, muito maior do que já fui; ainda assim, ao mesmo tempo, muito menor e mais vulnerável.

Todos carregam fragmentos do todo; juntos, eles me formam. Vejo-os interagir, desenvolver-se. Vejo-os assumir posições distintas, como se fossem mentes distintas; dedicados a caminhos e deuses diferentes.

Creio que me ensinarão algo."

Pain of Salvation, Be (2004): Deus Nova / Fabricatio

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Nós dependemos dos deuses ou eles dependem de nós? Seríamos nós os verdadeiros arquitetos da criação? Seríamos nós os responsáveis por incutir sentido em todas as coisas? Seríamos todos... deuses?

Deveríamos continuar esperando dos deuses o que poderíamos esperar de nós mesmos?

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"I've been trying so many gods... I don't know who God is, but I know what God should be."

"Speak to me... I won't ask you to save me... I just want you to speak to me."

"Hey... Did I apologize to you for... you know...? I just want to say I'm sorry and... thank you. Oh, and one more thing: please, help me fly."


Pain of Salvation, Be (2004): Vocari Dei


November 25, 2004
Bosta bem posta
Posted at 02:28 AM

Espero não ser encarado como machista, intolerante ou retrógrado. Ainda assim, prefiro correr o risco à calar-me: não gosto de mulher que fala palavrão.

Entendam-me, não é por achar "feio" ou "masculinizante". O problema é que, com raras excessões, as mulheres não sabem usar, não conhecem as sutilezas da arte imprecatória. Mulheres enfatizam demais as palavras chulas dentro de uma sentença – talvez numa tentativa de afirmar "Posso, sim, falar de forma empolada!" –, não têm a intimidade necessária para incluí-las como uma saudável pontuação. Fica aquela coisa ressaltada, a ponto de dispensar o resto da frase; o xingamento por si só, e não como recurso de modulação emocional de uma frase.

Mas sou, antes de tudo, um camarada de mente aberta; mudo de opinião assim que as mulheres dominarem a técnica de chamar um amigo de veado sem ofendê-lo.


November 26, 2004
[review: música] Be
Posted at 12:41 AM

Após ler no site da banda a lista de teorias e fontes de pesquisa relacionadas à concepção de Be, senti-me até envergonhado das considerações que fiz em posts anteriores. Por mais que eu goste de viajar, preciso admitir que ainda estou muito longe dos profissionais. Constam na lista coisas como feromônios / sexto sentido / órgão 'vomeronasal', considerações matemáticas acerca de estruturas fractais, crescimento populacional exponencial e intercambialidade de papéis em sistemas hierárquicos deuses-escravos – só para citar o que me chamou mais a atenção.

Tantas correlações e especulações resultaram num álbum conceitual, complexo e que contém muito mais do que música; não viajar em cima das letras após ouví-las leva a um experiência bastante limitada do disco. De fato, Be pode não agradar tanto à quem procura simplesmente música, já que narrações e experimentações ocupam um lugar de destaque. A proposta desenvolvida pela banda através dos anos ainda está presente (em faixas como Lilium Cruentus e Diffidentia), mas há também a adição de vários elementos novos e pouco convencionais (como em Deus Nova, Nauticus e Vocari Dei).

Daniel Gildenlöw, responsável por quase todas as composições em Be, recomenda que as pessoas ouçam o álbum sem expectativas. Assim, esqueçam de alguma forma tudo o que escrevi até aqui e simplesmente ouçam. E viajem.

Curiosidade 1: Gildenlöw comenta em uma entrevista que, ao mostrar sua música favorita (Nauticus) a um amigo, ouviu como resposta "Sério? Isso não parece uma música!"

Curiosidade 2: Vocari Dei foi gravada da seguinte forma: a banda pediu que quaisquer fãs interessados em participar do álbum ligassem para determinado número e deixassem sua mensagem para Deus, sendo que não precisaria ser necessariamente séria; o importante é que tudo fosse dito "de coração", como se realmente estivessem falando com seu criador. As melhores foram escolhidas e utilizadas na música (com qualidade telefônica, mesmo).

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"A cada vez que os fragmentos retornam ao Uno, compreendo mais – e fico mais e mais assustado. Vejo neles partes de mim mesmo que não conhecia: destruição, culpa, desespero. Eles se tornam cada vez menos partes de um todo, e mais como meras partes. [...]

A humanidade está despedaçada, eu estou despedaçado. Meus fragmentos se fragmentaram; peças de peças, impossíveis de serem unidas novamente. Elas me abandonam, não fazem mais do que passar suas vidas procurando um contexto do qual já são parte, até que não haja alternativa além de abandonar o contexto. E eu diminuo, desvaneço, e nada mais pode ser aprendido ou ensinado. [...]

Muitas vezes, procurar por si mesmo é perder a si mesmo. Entender é existir. [...] Assim, Deus cria os homens, estes escravizam Deus; deuses são criados pelos homens e os escravizam. [...] No fim, estamos todos perdidos; destruímos o que procuramos, falhamos em encontrar as respostas. [...]

O único sentido é não buscar sentido. Apenas feche os olhos por um segundo e você deverá ouvir tudo; por um segundo efêmero, um frágil momento, impossível de agarrar ou manter e, ainda assim, belo e absolutamente claro. Você deve ouvir a única resposta."

Pain of Salvation: Animae


November 27, 2004
Espiral negra
Posted at 01:42 PM

Rodeios de dor, agonia e crescente
medo
me impede de achar o caminho que
quero
reunir fragmentos perdidos da
vida
marcada por linhas que indicam
distâncias
na mente e no chão me separam da
minha
natureza é volátil, volúvel,
solúvel
espírito envolto em ares
pesados
fardos me empurram para a espiral
negra
condição de meu ansioso
coração
bate pelo abraço, pela queda, pela
espiral
negra me envolve, me acalma, me
absorve

descendo a espiral negra
me perco, me encontro
me reescrevo
descendo a espiral negra
espiral negra espiral
negra espiral
negra

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"To those who understand
I extend my hand
to the doubtful I demand
take me as I am"


Dream Theater, Train of Thought (2003): As I Am