Entries for March, 2005
March 7, 2005Death in box Posted at 01:33 AM Eis que surge uma barata no box, enquanto tomava meu banho. Encarei-a, ainda um tanto surpreso, e lhe disse "Porra!", complementando a seguir com "Ainda bem que você escolheu uma hora pouco chata para aparecer!" Valendo-me de minha agilidade habitual, alcancei um objeto de massa 34,7 vezes maior que o artrópode e ameacei a vida deste. A barata permaneceu irredutível, sob o argumento de já ser deveras reduzida. Fui obrigado a gangsterizá-la, sem compaixão ou remorso; ainda joguei seu cadáver num ralo qualquer, para que sirva de aviso a suas amigas. |

March 8, 2005
Pessoas queridas Posted at 03:00 AM As pessoas com quem conversei neste fim de semana podem ter me achado um tanto estranho. Passei por algumas experiências inquietantes, e acredito que as informações que seguem tragam algum esclarecimento. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Michel (2005.03.05) Querida Kibon: Percebi, já pela segunda vez, a ocorrência de um fenômeno estranho. Por motivos de força maior, retirei certa vez um pote de sorvete sabor Flocos do freezer e coloquei-o na geladeira; por esquecimento, ele acabou permanecendo lá por um dia e algumas horas. Ao abrir o pote, percebi que o produto encontrava-se em um estado insólito (em vários sentidos): assustadoramente cremoso, com aparência "aerada" (como se contivesse bolhas de ar) e, o mais estranho de tudo, flutuando em um líquido amarelado e de aparência viscosa que, suponho, provém da composição original do sorvete. Gostaria de saber: (1) o que aconteceu, (2) por que isso acontece, (3) em que condições isso acontece e (4) se existe algum problema em comer a gororoba toda mesmo assim. Certo de que não se trata de qualquer composto químico cancerígeno ou de outra forma danoso cuja presença poderia afastar-me dolorosamente do consumo de tão apreciado sorvete, aguardo sua resposta. Carinhosamente, Michel São José/SC - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Sac Kibon (2005.03.07) Olá, Fábio! [Argh! Assinei com meu nome preferido justamente para evitar isso...] Receber seus comentários sobre os produtos da Kibon é muito importante para nós, pois permite constatar a confiança e o respeito que você tem pela marca, pela empresa e pelos serviços que prestamos. Você pode nos informar seus telefones de contato (com DDD) e o melhor horário para conversarmos? Aguardamos com interesse sua resposta. Até breve, Juliana Caetano Pinto Equipe de Relações com o Consumidor - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Michel (2005.03.08) Prezada Juliana (a quem atreveria-me até a chamar de "querida", por seu vínculo à Kibon): Assim, você me desagrada. Embora provavelmente sua resposta esteja de acordo com o procedimento padrão (ou mesmo com a natureza do questionamento), não sou uma pessoa muito afeita ao telefone. Quando se faz necessária uma máquina para intermediar uma conversa, prefiro esta que usamos agora. (Poderia oferecer vários motivos para tal preferência, mas não quero enfadá-la com tais detalhes.) Imaginei que o fenômeno descrito já houvesse sido detectado em testes de conservação; perguntei sobre o mesmo mais por curiosidade do que qualquer outra coisa. Tudo bem se não puder elucidar-me por e-mail. (O que não significa que não ficarei triste.) Melancolicamente, Michel, o Esporádico - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Sac Kibon (2005.03.11) Olá, Michel! [Viram? Ela me chamou de Michel! =] Agradecemos o seu retorno. Pelo que você relata em sua mensagem, provavelmente ocorreu uma variação na temperatura ideal durante as etapas de transporte e/ou armazenamento do produto. O descongelamento seguido de recongelamento do sorvete causa alterações que podem ser notadas no sabor, cor, textura, perda de volume, separação de fases e cristalização. Sempre que precisar nosso atendimento estará a sua disposição. Caso queira, pode nos contatar pelo telefone 0800 707 9922 de segunda à quinta-feira das 09:00 às 11:30 e das 13:00 às 17:00h, e às sextas-feiras das 13:30 às 17:00h. Até breve. Juliana Caetano Pinto Equipe de Relações com o Consumidor - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Michel (2005.03.22) Prezada Ju da Kibon: Obrigado pela resposta. O "Até breve" causa a sensação de que você, no fundo, já sabia que não me sentiria muito respondido. Contrariando as tendências, porém, declaro-me satisfeito. Sei que você tratou minha dúvida com carinho; ela voltou bem mais feliz e corada. Tentei agradecer-lhe antes, mas minha semana foi cheia. E a sua, como foi? Michel, o Índigo P.S.: Obrigado por usar meu nome favorito! =] |

March 9, 2005
O cabeludo de mil faces (todas iguais) Posted at 04:07 AM Segunda-feira estava indo ao supermercado – como faço quase todos os dias, aliás. Um molequinho de uns 6 anos, agarrado à mão do pai (ou do seqüestrador, vai saber) passou do meu lado e me encarou com olhos arregalados. Achei engraçado, mas não sorri nem nada; mantive minha cara mal-encarada padrão, só para ver a reação dele. Sequer piscava (ou andava direito, com o queixo elevado 60°). Fico feliz em saber que, nestes tempos loucos, conturbados, mutantes e frenéticos, ainda exista toda uma aura de "Olha o Demo passando!" em volta dos metalheads. Isso é respeito, meus amigos; em tempos onde nada é o que deveria ser, medo é respeito. [Ah é, Michel; respeito é assustar guris de 6 anos – e velhinhos, ocasionalmente.] Ou o moleque achou que estava vendo Jesus Cristo em pessoa. Ou Aragorn. Ou Geddy Lee. |

March 10, 2005
[review: cinema] Menina de Ouro Posted at 03:40 AM [Tentarei manter o texto livre de spoilers.] Há mais de duas semanas estive esperando para assistir esse filme, tempo suficiente para criar algumas expectativas – e aumentar as que Sobre Meninos e Lobos deixou. Por isso, o começo desapontou-me bastante (culpa minha, naturalmente); parecia apenas um filme sobre lutar e vencer. "Que legal, Michel: você pagou R$ 4,00 para ver um remake de Rocky V." Conforme a história avançava, percebi que não era sobre lutar e vencer. Nem sobre amizade e família, nem sobre decisões certas e erradas, nem sobre o modo como as coisas ganham e perdem importância de forma brusca. Tudo isso foi me ocorrendo e sendo descartado em seguida. Acho que o mais próximo que o filme traz como mensagem é "carpe diem". Voltei para casa meio aparvalhado, sacudido – efeito da minha habitual bananice, somada à sensação de ter encontrado uma história sem lição de moral. É um filme sobre sonhos, momentos, decisões e arrependimentos, mas que não pretende estabelecer nenhuma relação clara entre essas coisas. É só um filme sobre a vida e a confusão inevitável que a acompanha. E o treinador morre no final. (Há! Peguei você! É mentira! Ou não, talvez morra mesmo.) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Merecedor do Oscar de resposta mais escrota: Frankie: "Se eu vou treinar você, então vai aceitar tudo o que eu dizer, sem fazer nenhuma pergunta." Maggie: "Certo." [Maggie começa a bater no saco de areia.] Frankie: "Pare, pare." Maggie: "Que houve? O que eu fiz de errado?" Frankie: "Duas coisas: em primeiro lugar, você fez uma pergunta; além disso, você fez outra pergunta." |

March 11, 2005
Memórias Posted at 03:44 AM Ontem, antes de assistir Menina de Ouro, fui à papelaria do shopping para comprar uma borracha e tive uma conversa peculiar com a moça do caixa: moça: "Oi! Tudo bem?" Michel: "Sim, tudo bem..." moça: "Eu lembro de você, viu?!" Michel: "É? Mas nem sou um freguês tão assíduo!" [Na verdade, fazia vários meses que não ia lá; no total, acho que entrei no lugar 5 vezes em três ou quatro anos.] moça: "Ah, é que eu lembro do seu cabelo. Às vezes, a gente lembra de uma pessoa que volta pela roupa que ela está usando, mas de você eu lembrei por causa do cabelo." Michel: "...? Pela roupa? Como assim? Pessoas que usam a mesma roupa todos os dias, como super-heróis?" moça: "Não! As pessoas usam outras roupas, claro! Mas quando elas voltam no mesmo dia, ainda estão usando a mesma roupa!" Michel: "Ué, mas quem vai à papelaria mais de uma vez ao dia? 'Oi, eu preciso de mais uma folha de papel!'" moça: "Não, né? Ninguém faz isso! Estou falando de pessoas que vêm, olham, saem para ver o preço ali na Americanas [que fica quase ao lado] e depois voltam para comprar!" Michel: "Sim, mas você é OBRIGADA a lembrar de alguém que viu alguns minutos atrás, mesmo que a pessoa trocasse de roupa!" moça: "Ahh... às vezes, a gente não lembra..." Hahahaha... Alguém me explica isso, por favor. Ainda se fosse um lugar movimentado, mas está quase sempre vazio! E eu achando que a minha memória era ruim... |

March 12, 2005
Pittsburger Posted at 04:19 AM Qual é a origem da palavra "hamburguer"? Teria ela vindo de Hamburg, na primeira classe, acompanhada de maionese e catchup? Se é este o caso, fico grato; afinal, seria muito mais complicado pedir um cheese-constantinopler ou um PindamonhangaBob. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Você sabia... ... que mais de um terço das bobagens que Michel escreve lhe ocorrem durante o banho? |

March 13, 2005
O Passo do Velociraptor Posted at 05:03 AM Não é muita novidade que eu atravesse as madrugadas acordado – basta conferir os horários dos posts. Mas há algo que vocês provavelmente não sabem: meus calcanhares fazem muito barulho quando ando descalço. Muito. Um barulho que ecoa por toda a casa. Desde moleque, meu pai reclamava disso. Mas poxa, é verão; óbvio que eu quero andar descalço! (Mesmo porque meu chinelo recém-inventou um ruído horroroso, que emite toda vez que é pisado.) Andar pela casa, então, tentando não acordar ninguém, só se for na ponta dos pés. Eis que manifesta-se minha segunda peculiaridade: meus tornozelos estalam quando ando na ponta dos pés. Como evitar isso? Mexendo o mínimo possível a articulação perna/pé. Uma vez que desconheço qualquer técnica milenar alternativa para fazer isso, eu leigamente ando com os joelhos semi-dobrados, de forma a deixar a seu encargo o grosso do movimento. O andar resultante é bastante característico. Eu o chamo de... "Passo do Velociraptor"! Conta com a comodidade adicional de servir como treinamento para a mímica de Jurassic Park. And it's very stylish, too. Mas não tentem fazer em casa, crianças. Provavelmente, não conseguirão realizar com toda a graça necessária e parecerão apenas patéticos. O que não é o meu caso. |

March 16, 2005

March 22, 2005
[review: cinema] O Justiceiro [2004] Posted at 04:22 AM Essa nova versão me fez lembrar da linguagem visual de Constantine, primorosamente construída de acordo com a estética Vertigo. Isso porque O Justiceiro é um lixo, neste e em vários outros aspectos. Incrível como o filme desperta saudades da versão de 1989, com Dolph Lundgren – que já era uma bosta de grosso calibre. |

March 22, 2005
Terrível – contra os insetos Posted at 04:46 AM Embora nem sempre mais prático, spray mata-baratas é certamente um método bem mais divertido de eliminar as malditas. No mínimo, bem mais aeróbico. Há toda a questão de perseguir a infeliz para tentar se aproximar – ou deixar-se tomar pela frustração e pulverizar o recinto todo. Acho até que poderia dar origem a um esporte, baseado nas corridas de revezamento (aquelas em que se passa um bastão): você entregaria o inseticida para o próximo membro da equipe após perseguir o inseto por 100 metros. (Melhor não manter os 400 metros originais, uma vez que é preciso correr curvado. Pode ser necessário revezar as baratas também.) |

March 27, 2005
Knock-knock-knocking on Hell's door Posted at 03:02 AM Carlos Protagonista resolveu descer ao Inferno em busca de sua amada, que acabara de morrer. Pelo que havia feito em vida, ela não poderia ir a nenhum outro lugar. Chegando à recepção, Protagonista encontrou um homem mirrado, de gravata igualmente mirrada; abordou-o: – Com licença, estou procurando uma mulher... – Ela entrou aqui? – interrompeu. – Creio que sim. Morena, coxas grossas, quadril inquieto; seu nome é Danette. – Ah sim! Difícil deixar passar um nome desses. Assim como o quadril. Belisquei-lhe a bunda, espero que você não se importe. Não é nada, no fim das contas, comparado ao que farão lá dentro. – É sobre isso que eu queria falar: estou aqui para levá-la de volta. O homem ficou estático, como se subitamente estivesse prestando atenção a uma música em sua cabeça. – Levá-la? Nunca ouvi falar disso. Creio que ninguém nunca tentou. Você sabe o que dizem do Inferno, né? Aquela história: um lugar cheio de sofrimentos, punições; quem entra não sai; essas coisas. Você deve amá-la muito, para ter vindo até aqui. – Amo sim. – Nunca entendi essa coisa que vocês têm. – Amor? – Isso. Como é? – Bom... é algo engraçado, ninguém sabe explicar direito. Faz as pessoas cuidarem umas das outras. Faz com que não sejamos apenas anônimos cuja vida não faz diferença a ninguém. – Desenvolve. – Veja: minhas idéias, meus sonhos, minhas realizações, tudo importa para Danette; ela é minha testemunha, me dá identidade. Desperta o melhor em mim, e vê o que ninguém mais vê. Sou uma pessoa muito melhor quando Danette está por perto. – Colocado dessa forma, parece algo bastante egoísta. Você sente falta dela porque o torna especial. – Não é a primeira vez que dizem isso. – Oh, e é injusto dizer, não? – Ei! Eu sou egoísta, não hipócrita...! Silêncio. – Posso ajudá-lo em mais alguma coisa? – Não sei. Você pode chamá-la para vir aqui na frente? – Não é assim que funciona. Você vai ter que entrar, convencer o Chefe. Devo avisar: foi muito incauto de sua parte vir aqui numa segunda-feira. O Chefe costuma afastar o tédio com... experimentações. Mais silêncio. – Sabe, eu não queria entrar... Não quero incomodar ninguém; seu chefe deve ser uma pessoa atarefada. Acho que vou voltar lá pra cima. – É? E sua amada? – Não se preocupe, eu vou superar. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Hell is home to me Might as well be I like it here and nowhere else invited me Judas Priest, Demolition (2001): Hell is Home |
