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As aventuras do Super Micheranja
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Entries for May, 2005

May 2, 2005
Enquanto meus poderes não voltam
Posted at 05:37 AM

Atendente saltitante da Big Pan, aparentemente ansioso por atenção: "BOM-DIA, amigo! Tudo bem? O que vai querer?"

Michel mal-humorado, gripado, após lançar-se em uma madrugada fria para comprar pão, tentando não agir de modo tão anti-social quanto o interlocutor merece: "Bom-dia. Quatro pães."

Atendente feliz (identidade civil de Prozac Man, meu mais novo inimigo): "Esses pães de trigo estão uma beleza; estão pedindo por um churrasquinho!"

Pensamentos ecoando sem rumo na cabeça de Michel: "Se você conversa com pães ou dá ouvidos a eles, o problema é seu. E se você acha normal fazer churrasco às duas da madrugada, falar com pães é o menor dos seus problemas."


May 3, 2005
Quando as vacas fazem o trabalho dos vegetais
Posted at 03:58 AM

Hoje aprendi uma lição importante, e percebi como estava sendo injusto em não retribuir a cordialidade da Big Pan. Explicarei em detalhes para que vocês possam me acompanhar em minha quase-epifânia.

No início da tarde, fui à padaria comprar pão. (Não sejam engraçadinhos; eu poderia ter comprado um bolo.) Ao pagar, a tia-que-cobra perguntou-me se estava de férias. Pegou-me de surpresa, já que raramente conversamos. Indaguei-lhe o porquê da pergunta e ela disse: "É que você sempre vem ao final da tarde; estava tentando imaginar por que veio em outro horário, hoje". Retruquei sua expressão de quem realmente estava interessada com um semi-audível "Hah...!" e fui embora. (Sim, eu sou um grosso; em minha defesa, ainda estava de mau humor.)

À noite, fui ao supermercado. Como o total das compras foi de R$ 22,01, perguntei à caixa se fazia questão de receber o centavo. "Sim, claro! Eu preciso cobrar!", ela disse. Ao replicar que raramente me pagavam os centavos do troco (quando eram poucos), ela ficou um tanto indignada e disse que sempre pagam todos os centavos. (Mentira! Quase sempre tentam empurrar balinhas, daquelas vagabundas de "uva"; certa vez, ao negar as balas, o cidadão entendeu que eu não queria troco. "ESPERAÍ, SEU SAFADO! Dá-me as moedas incômodas e inúteis a que tenho direito!")

"Ah, mas eu lembro de você," disse ela, "eu sempre lhe dou o troco; tenho certeza de que sempre recebe os centavos direitinho". Por algumas frações de segundo, fiquei calculando quais seriam as implicações sociais de requisitar a presença do gerente apenas para chamar a mulher de "Vaca!" na frente dele. Acabei desistindo ao lembrar do sábio ensinamento "A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". E troquei uma moeda de 5 por quatro que não valem nada.

No caminho para casa, senti-me culpado por não ser mais gentil com os funcionários da querida Big Pan, um estabelecimento tão user-friendly. Quase sempre recebo descontos nesses casos – ontem mesmo, de 5 centavos. Enfim, a lição que aprendi é a seguinte: aquela mulher do Giassi é uma vaca. Sei que não é tão bonita quanto as lições da Disney, mas vai servir; preciso agora de um plano para sacanear a bovina de alguma forma.


May 7, 2005
Code: code red, red Golf
Posted at 08:00 PM

Às vezes, o mundo é simbólico demais para mim. Estava a caminho do Giassi (como sempre). Havia um carro estacionado, de onde saíam algumas pessoas e pacotes. Um certo senhor, segurando uma sacola branca, olhou-me fixamente enquanto eu me aproximava; mostrava os dentes – não exatamente num sorriso. Quando estava a um metro de distância, falou "Olha isso aqui!" e apontou para a traseira de outro carro, exatamente para o ponto onde lia-se Golf. Certamente era um código; agi de acordo, continuando em meu caminho e aparentando ignorar completamente o cidadão, como qualquer agente secreto faria.

Analisando depois, percebi meu erro: não trouxe comigo a sacola, que provavelmente continha o microfilme.


May 20, 2005
[review: cinema] A Queda
Posted at 04:02 AM

Finalmente um filme digno de comentário maior do que um parágrafo. As últimas semanas não vinham rendendo boas lembranças cinematográficas – talvez fruto de decisões infelizes da minha parte, mas não eximo da culpa a seleção desfavorável dos cinemas. (Queria muito assistir Sobre Café e Cigarros, mas este ficou em cartaz durante apenas uma semana...)

Pois vejamos: Reencarnação é um filme que não fala sobre reencarnação. (Até então, não achei que ele seria realmente muito profundo.) Mas ele suscita várias questões curiosas, como "Por quê os produtores usaram porções de película suja, arranhada, velha e/ou propensa a grãos enormes?"; "Como passou despercebida pelo maquiador a terceira narina de Nicole Kidman, ficando exposta à apreciação do todos?"; "Onde o diretor estava com a cabeça para achar que um close ininterrupto de dois minutos, acompanhado apenas pela trilha sonora, era uma boa idéia?"; entre outras. O simples fato de que os detalhes técnicos chamam mais a atenção do que a trama em si é bastante sintomático.

Ainda fresquinho na memória: Cruzada. Audacioso, não apenas não é sobre reencarnação como não é sobre nada. Certamente não é sobre as cruzadas, mas isso o nome original (Kingdom of Heaven) e o trailer já haviam deixado claro. Também caiu por terra a impressão que a divulgação deixou: não é maaais uma história de amor padrão – aquele amor lindo e trancedental que vence tudo – com um evento qualquer de grandes proporções como pano de fundo. Estranhamente, não é também mais um reforço da ideologia católica, chegando a ser patético pelo discurso "Nossas diferenças não devem ser um obstáculo, todos adoramos o mesmo deus!". Também não é aquela manjada receita requentada do 'herói que sempre vence pela perseverança' – o que até incomoda, já que, diante dos heróis concorrentes, o Legolas deste filme parece um grande banana. Os estereótipos rasos descartam automaticamente qualquer alegação de que o tema seja a análise da condição humana. Enfim: Seinfeld deve estar desconcertado ao ver alguém tendo mais sucesso ao falar sobre nada. (E desconcertado também deveria estar o roteirista, por ousar estabelecer como clímax MAIS UMA seqüência épica de resistência a cerco. Por favor; não depois de As Duas Torres!)

A Queda: As Últimas Horas de Hitler felizmente serviu de alento a um coração sem esperanças. Gratamente desprovido de simbolismos vazios, tão em moda nos últimos anos – sabe-se lá quantos; 30? –, A Queda não aposta na 'humanização de um monstro' como muitos vêm dizendo. De fato, senti muito mais antipatia pelo Führer do filme do que por aquele dos livros de História – e aproveito para juntar-me à unanimidade: a atuação de Bruno Ganz neste papel é primorosa. Francamente, qualquer afirmação de que a obra procura despertar afeição por Hitler parece outra manifestação paranóica da comunidade judaica.

(Nem entrarei no mérito das 'questões intocáveis' – e de como os alemães aparentemente merecem ser estereotipados onde quer que estejam –, mas parece haver uma ligação peculiar aqui. Os filhos da Alemanha – mesmo os nascidos fora dela – estão inevitavelmente atrelados a esse ponto da História. Alguns, ainda hoje, defendem as ações de Hitler; outros envergonham-se por coisas de que nunca tomaram parte. Eu procuro apenas aprender tanto quanto posso sobre esse legado e sobre mim mesmo enquanto, paradoxalmente, tento não pensar muito sobre tudo isso. No fim das contas, não sei dizer se, caso estivesse imerso no contexto histórico, não apoiaria também o nazismo. O relato no fim do filme levanta um ponto que muita gente 'esquece': nem todos os envolvidos tinham consciência do que foram, afinal, as duas guerras mundiais; não tinham a visão geral da situação. Não tinham, em última instância, opção. Esse momento é mostrado nos livros como um grande erro porque seus perpetradores foram derrotados, não podendo ser transformado em algo 'nobre' como as cruzadas.)

Surgem ainda algumas peculiaridades nem sempre lembradas quando se imagina a queda da Alemanha: o uso de telefones comuns para comunicação militar; o fato de que a vida precisava continuar em meio à guerra (mesmo que não exatamente a vida cotidiana); a disposição para aproveitar os últimos momentos, quando não se tinha a perspectiva de que fossem muitos. Finalmente, achei no mínimo curioso o apego à honra que, caso tenha mesmo sido como mostra o filme, não fica devendo nada ao código de conduta dos samurais.

Fica, por fim, a dúvida: por que incluir "As Últimas Horas..." na tradução do título se o espaço de tempo parece ser de algumas semanas?


May 24, 2005
Redação: Minha maior aventura
Posted at 12:54 AM

Ontem eu andei de moto. Foi uma grande aventura. Na moto venta muito, porque ela é um objeto conversível, e faz mais frio quando já está frio. Faz mais frio ainda quando não se usa luvas. É como andar bem rápido de madrugada sem luvas quando faz frio, só que de moto.

Quando duas pessoas que andam em uma moto são homens, o que está atrás segura em qualquer lugar, menos no homem da frente, porque isso é socialmente repreensível. Quando a moto passa numa lombada, venta por baixo e faz frio por todos os lados. Quem pilota fica olhando pra frente, e a pessoa que vai atrás precisa se distrair com outra coisa.

Às vezes, o capacete fala com a pessoa. Ele assobia. É a língua dos capacetes. Mesmo que a gente não entenda, devemos balançar a cabeça quando o capacete termina de falar. Minha professora ensinou que devemos fazer isso para que não pensem que ela nos educou mal.

Quando eu crescer, quero ser bem inteligente para saber pilotar moto. Aí eu posso ter um emprego bem legal, como os homens que entregam pizza. Fim.

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[Cachorro-quente maldito, não caiu nada bem. Só pode ter sido o milho; Eu não estou acostumado...]


May 26, 2005
[review: cinema] Star Wars – Episódio III
Posted at 12:48 AM

Considerações livres (que podem estragar algumas "surpresas" para quem ainda não assistiu):

1) R2D2 é o cara mais foda da série. (Ops! Sorry for using the "f word".)

2) General Grievous impressiona muito mais nos desenhos da Cartoon Network – ou eu estava curioso demais para vê-lo no cinema e acabei me decepcionando facilmente. De qualquer forma, é muito difícil engolir a idéia de que um dróide de batalha – mais ainda: um que lidera batalhas – tenha um coração tão desprotegido. (Já é estranho o bastante que ele tenha um coração. Adeus, lógica; olá, detalhe-bastante-conveniente-para-a-seqüência-narrativa.)

3) Qualquer Jedi, embora capaz de derrotar um exército de dróides fortemente armados, pode ser facilmente morto por qualquer soldado furreca da República.

4) Tudo bem acrescentar uma pitada de "ironia do destino", mas o George exagerou ao matar Padmé de um modo tão piegas.

5) Cena mais bizarra: Vader gritando "NOOOOO!" com toda a graça de uma maricota preta.

6) Ridículo terem moldado uma veste de Darth Vader especialmente para o Hayden Christensen (fonte: Adoro Cinema) se ela só é usada em três cenas, todas de pouca relevância.

7) Se não me engano, é o primeiro final de Star Wars que não envolve uma festa ou uma cena de "Weee! Nós vencemos!"