Entries for June, 2005
June 11, 2005[weekly report] Golf (Classified) Posted at 07:23 PM segunda-feira: Comecei a trabalhar em uma gráfica hoje e não tenho tido tempo algum para vagar pela Internet durante a semana. Ainda assim, eu quero escrever! Resolvi fazer anotações e reunir tudo em um relatório a ser publicado nos sábados. terça-feira: O dia mais negro em toda a História da Barba. Não sei se estava especialmente sonolento, mas nunca havia sido tão incompetente ao me barbear. Perdi tanto sangue pelos inúmeros cortes que precisei de uma transfusão depois. (Fora a aparência de quem tentou assediar um guaxinim raivoso.) Estive analisando o trajeto da gráfica ao supermercado onde almoço e estimo que serei atropelado nas próximas duas ou três semanas. Os motoristas dessa região têm uma lógica própria, um comportamento híbrido entre São José e Floripa. Às vezes, os carros param quando você está no início da faixa de pedestres; às vezes, apenas quando você começa a atravessá-la; às vezes, não param em momento algum (embora uma lei permaneça imutável: quando uma mulher está esperando para atravessar, todos os carros param – com uma presteza proporcional à beleza da mesma). quarta-feira: O motorista engraçadinho do ônibus executivo resolveu colar um adesivo de "NOS" (Nitrous Oxide System) no pára-brisa – achando-se o cool, talvez. Tudo bem que esse ônibus é de playboy (ar-condicionado, assentos fofinhos, catraca maneira; tudo repassado ao preço da passagem, naturalmente), mas só me sentirei convencido quando o vir rebaixado, com neon, vinil adesivo e letreiro "X-Ecutive Rulez!" quinta-feira: Neblina DO MAL cobrindo São José. (Percebeu a ênfase? DO MAL!!!) Do meio da minha rua, não conseguia enxergar o começo ou o fim. Os prédios à distãncia, então, estavam invisíveis no mar de leite suspenso. A neblina era tão do mal que, se você olhasse atentamente para onde parecia estar o Sol, perceberia que a luz vinha do Olho de Sauron. Estranhamente, a neblina ficava subitamente mais rala depois da divisa com Floripa. Seria uma maldição por termos criado o terrível Dário Vader? sexta-feira: (Hoje não aconteceu nada. Recebi o dinheiro do vale-transporte, mas isso não é muito emocionante. Comentarei, então, sobre a conversa que tive com meu pai na noite anterior.) O patriarca aqui de casa sempre me aparece com umas noções bizarras sobre nutrição. Quando estou comendo algo de baixo prestígio alimentar, como pão de queijo, ele diz que eu preciso de "comida de verdade". Quando estou comendo uma lasanha, ele diz que eu preciso de "uma comida forte". Quando estou comendo uma pizza, ele diz que eu preciso de "carne". (Creio que ele considere o churrasco como a base de uma alimentação diária saudável.) Mas a última que ele soltou foi a melhor: estava comendo pão com peito de peru e ele disse que eu preciso comer alguma coisa QUENTE! Como assim, "quente"? Como isso poderia influenciar o valor nutritivo de qualquer coisa? Ele só pode estar me zoando... Ainda assim, é melhor não discutir; já é trabalho suficiente convencê-lo de que não estou jejuando no almoço. sábado (bônus): Desgraça! Depois de passar a semana toda tentando me adaptar aos novos horários, acabei acordando cedo hoje! Pela primeira vez em... tantos anos que sequer lembro! O que diabos se faz numa manhã de sábado para ocupar o tempo? |

June 19, 2005
[weekly report] Novas fronteiras Posted at 02:13 PM terça-feira: Encontro-me num certo dilema sempre que chega a hora do almoço. Às 12h, a praça de alimentação está quase vazia e eu posso escolher minha mesa com bastante liberdade; o trânsito no trajeto, porém, é caótico e nem um pouco pedestrian-friendly. Posso esperar uns 30 minutos até que os carros tenham ido almoçar, mas fico sem mesa – ou pior: preciso sentar com outras pessoas. (Egh! Pessoas...) Qual escolha fazer: viver ou garantir minha mesa? Oh dúvida... quarta-feira: O trabalho leva a um respeitável conhecimento dos banheiros alheios. Falo por mim: passo muito menos tempo no meu. O do Angeloni, aonde vou todo dia, já está praticamente decorado. (Digo: memorizado; não pensem que levei porta-retratos para lá ou algo assim.) Em breve, sentirei-me seguro para publicar um ranking dos banheiros da cidade (ao melhor estilo George Constanza, que conhecia todos os bons banheiros de Nova York – no mínimo, um por rua). quinta-feira: Hoje tive uma idéia bastante estúpida, seguida por uma realização infeliz. Sabe aquela parte do corpo geralmente invisível em público e com pêlos atrevidos que incomodam no verão? Exato: as axilas. Pois bem; após uma hora e meia jogado no sofá, vendo TV depois do trabalho, decidi que seria boa idéia cortar tais pêlos. (Cortar, não raspar – porque ISSO parecia estúpido.) Após alguns cálculos mentais e constatações práticas, imaginei que não haveria problema em levantar o braço, segurar a ponta dos pêlos com a mão deste e cortá-los com a outra. Três constatações: (1) por mais que pareça improvável, é possível (para os destros) cortar os pêlos da axila direita com a mão direita (funciona, pode testar em casa); (2) pêlos recem-cortados pinicam como o diabo; (3) aparentemente, as axilas são órgãos especializados em detectar pêlos que pinicam, e coçam como o Inferno durante dias. sexta-feira: tra.ba.lho: s. m. [...] 3. Período da vida em que se posterga as coisas que se quer fazer para fazer as coisas que se quer postergar. [...] 5. Comportamento anômalo do espaço-tempo que torna os dias da semana mais longos e os fins de semana, mais curtos. [...] |

June 23, 2005
Bomba Posted at 01:02 AM Ontem foi o dia mais frio do mês / do ano / do mundo / de Floripa / de ontem. Tomar banho pela manhã tem exigido considerável preparação psicológica, suficiente para fazer-me superar o medo do barulho do chuveiro. (Sim, eu temo tal barulho; assim como o do alarme do rádio-relógio, o das explosões termonucleares e o dos ditadores.) Não sei como vocês fazem nessa situação, mas minha técnica é a seguinte: ligar o chuveiro e deixar que se forme uma nuvem protetora de vapor quente sob o mesmo; basta, então, fazer um buraco nela e entrar. (Efeito colateral: sentir-se como ninja numa nuvem de fumaça. Excetuando-se o fato de que os ninja usavam roupas. E moravam lá longe. E não iam para gráficas pela manhã.) (Vocês entenderam.) |

June 25, 2005
S.E.N.A.I. Posted at 03:31 PM Sentro de Enteligência Nacional das Américas Índicas. (Desculpem, fiquei com essa bobagem na cabeça enquanto caminhava. Não conseguia lembrar o significado do nome e imaginei o que responder se alguém me perguntasse naquele momento.) |

June 26, 2005
(Nota mental) Posted at 07:54 PM (Preciso parar de avisar as pessoas quando estiver deprimido ou irritado; talvez, assim, elas não me tratem como se fosse criança ou estivesse doente e não se afastem até que eu "volte ao normal". Já não é de hoje que essas condições fazem parte do meu estado normal.) |

June 28, 2005
Fragmentos Posted at 12:02 AM Estou quase acostumado aos novos horários; consigo chegar em casa sem cair direto na cama; consigo aproveitar as horas, ficar acordado, pensar. Lembrar. Engraçado como a memória funciona – ao menos a minha, fugidia. Engraçado como preciso manter na mente tudo de que não quero esquecer; dia após dia, por tantas horas quanto puder. Deixar as imagens e sensações sumirem, mesmo que por um instante, é ter um detalhe a menos para lembrar da próxima vez. Um traço a menos, uma cor a menos, um toque a menos. Até que, meses depois, tudo o que resta é uma impressão, tão vaga que não pode mais ser degustada. Uma sombra. Ocasionalmente – como nos últimos dias –, surge a lembrança dessas lembranças perdidas. A angústia por não conseguir recuperar os momentos, o quase acalento das palavras ainda associadas, numa cruel codificação, à vida que não é mais. Saber que um momento é doce sem conseguir identificar o sabor; sabe-se apenas que não é amargo, nem neutro; que algo precioso está perdido. E que, junto às lembranças, foi-se também uma parte de você. |
