Entries for July, 2005
July 2, 2005Teste vocacional Posted at 12:26 AM Odeio prazo odeio dead-line odeio semestre odeio cliente odeio usuário odeio pedro bial odeio vegetais odeio chilique odeio ódio odeio mouse odeio novas perspectivas odeio pensamento retrógrado odeio cigarro odeio valores odeio atração gravitacional odeio mal-estar odeio estar mal odeio não estar. (Receio que não me restaram muitas opções de profissão.) |

July 23, 2005
Sobre o natural Posted at 10:51 PM Frente à exigência popular (de uma só pessoa, confesso, mas uma pessoa de prestígio), tentarei atualizar com uma freqüência maior. Adianto-lhes, assuntos não faltam. Estava hoje mesmo pensando numa série de fenômenos sobrenaturais que presenciei. O primeiro relato é bastante assustador; peço que as pessoas de coração fraco mudem de link e que os pais tirem as crianças do site. Certo dia, na volta para casa, resolvi subir em um ônibus de outra linha, que também me deixa perto de casa; o titular estava demorando. Logo que entrei, fiquei encantado: ele era mais confortável, mais iluminado e tinha condicionador de ar. O motorista disse "Boa-boite!", o que até me pegou de surpresa. Escolhi meu lugar e fiquei de bobeira, pensando em como era raro encontrar um motorista tão gentil. Foi quando percebi que ele não cumprimentava mais ninguém; aliás, ninguém olhava para ele quando entrava. Logo a terrível verdade me atingiu como um pipoco no nariz: os outros passageiros não podiam vê-lo! Só eu podia, e ele sabia disso; por isso me cumprimentou. O motorista era um fantasma! Eu vejo gente morta! Oh deuses! Naturalmente, fiquei muito assustado; os demais passageiros estranharam isso. Eles estavam tranqüilos, pois não viam nada além de um banco de motorista vazio. O segundo caso também aconteceu num ônibus. (Desta vez, no que pego tradicionalmente; do outro, agora, tenho medo.) Entreguei o dinheiro ao cobrador e fiquei esperando o troco, meio distraído. Como estava demorando, comecei a prestar mais atenção e vi que ele remexia nas moedas como se estivesse em transe. Ficou mais de um minuto mexendo e olhando, tirando e devolvendo moedas à gavetinha. Não ficou muito claro se ele estava lendo minha sorte no troco; o cobrador se mantinha silencioso e enigmático. Talvez estivesse montando mentalmente um intrincado quebra-cabeças, ou procurando sem sucesso a moeda amaldiçoada da qual queria se desfazer. Depois de várias curvas ingratas que enfrentei de pé, ele finalmente me passou algumas moedas, sem sequer levantar os olhos. Por via das dúvidas, deixei-as na padaria poucos minutos depois. Já num terceiro dia, no ponto de ônibus (sério, esse lugar concentra energias sinistras; deve ter sido construído sobre um cemitério de múmias indígenas), percebi algo de errado no lixeiro, um brilho bruxuleante em seu interior. Uma análise mais detalhada revelou que havia uma vela vermelha acesa dentro dele; as paredes de plástico começavam a ceder ao calor e um buraco se abria na lateral. Pensei em um meio de tentar apagar o fogo – já com medo de que a vela vermelha me reservasse alguma maldição –, quando alguém veio correndo do meio da rua. Era um cidadão que, parando junto à planta no canteiro central, arrancara um galho e o empunhava como se fosse a arma definitiva contra incêndios. O iludido cavaleiro moderno começou a bater no lixeiro como quem chicoteia um cavalo anão azul comatoso de plástico colado num poste, num esforço bastante patético. Percebendo seu fracasso, saiu resmungando. Logo em seguida, um rastafari veio correndo do bar da esquina com um galão de água. Ao apagar o fogo, saiu também resmungando. (Foi nesse momento que eu percebi como há gente estranha naquelas redondezas.) Fica para sempre o mistério do porquê da vela incendiária ser vermelha, e não verde ou amarela ou lilás. Finalmente, hoje, após passar em frente ao prédio do começo da minha rua, vi uma garota vindo em minha direção. Um momento muito bonito e mágico tomou forma: quando estávamos bem próximos, trocamos olhares envergonhados. Numa fração de segundo, percebi que havia encontrado minha alma gêmea. (É mentira; só queria deixar a história mais interessante.) Enfim; nós dois seguimos nossos caminhos. Mais ou menos um segundo e meio depois, virei-me para checar... er... digo... virei-me para... hmm... olhar... sabe... ahn... para saber... qual era o fabricante da calça dela. Isso. Sabe, eu me interesso por fabricantes de calças; verdade! Bom, quando me virei, ela havia sumido! Não poderia ter entrado tão rápido no prédio, nem mesmo se pulasse o muro; não havia nenhum taxi onde ela pudesse ter embarcado, nada! Ela simplesmente sumiu! Comecei a correr, jurando nunca mais olhar para a marca do fabricante da calça de qualquer moça pelo resto da semana. |

July 23, 2005
Frase da semana Posted at 11:57 PM Encontrada num site, associada a Escorpião: "Vencer não é tudo. É preciso humilhar o adversário." (A Cassi é de Escorpião. Medo.) |

July 24, 2005
Código da missão Posted at 12:14 AM Na semana que passou (não lembro em qual dia, deveria ter anotado; pode ser importante), recebi um novo fragmento do que, percebo agora, só pode ser uma mensagem em código da mais alta relevância. Estava saindo do trabalho quando vi um senhor de idade sentado num canto qualquer. Estava fumando de cabeça baixa, olhando um papel que segurava com as duas mãos. Subitamente, ele virou a cabeça – não exatamente na minha direção – e disse "Olha o pão caseiro!"; logo deduzi que ele era um agente secreto, uma vez que não havia pão algum no local, apenas uma bicicleta. Agora basta juntar isso a "Golf" e aguardar o restante da mensagem. |

July 24, 2005
Ah, humanos... Posted at 01:34 AM Sério: eu juro que continuo carrancudo como sempre. Ainda assim, várias pessoas insistem em querer socializar comigo, entre elas: (1) o motorista fantasma que só diz "boa-noite" para mim e mais ninguém (2) o cara da loja de suco, que vez ou outra fica perguntando coisas pessoais como "Você trabalha aqui perto?", "O que você faz?" ou "Não vai querer um suco para acompanhar isso aí?" (3) a menina que vez ou outra me atende no mesmo lugar, e que disse certa vez que eu pareço com um amigo dela "... ou primo, eu não lembro; será que ele era meu amigo ou primo?" (4) o tio que limpa o banheiro do Angeloni e sempre me cumprimenta – aliás, também nunca vi cumprimentar mais ninguém; sempre que o vejo, lembro que stress não é o que pode haver de pior num emprego |
