Entries for August, 2005
August 1, 2005Há de chegar a vingança das vacas! Posted at 12:26 AM Qual não foi minha indignação ao ouvir um dos atendentes do Bob's perguntar ao outro "Como faz 'vaca-preta'? Não sei o que é isso!" COMO não sabe, SEU HEREGE??? Como pode envergonhar dessa forma seu avental de sorveteiro? Já é afronta suficiente que o Bob's seja o único lugar onde a vaca-preta consta no cardápio! Por quanto tempo mais permitiremos que pessoas tão despreparadas maculem a sagrada arte? Sério: meu ímpeto inicial foi de pular o balcão e arrancar aquele copão de fazer milk-shake das mãos do infiel. Só me contive porque a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena. |

August 1, 2005
Benafot Posted at 12:29 AM Percebam o naipe da bula que tenho em mãos: "[...] Benalet® [...] contém o corante amarelo de TARTRAZINA que pode causar reações de natureza alérgica [...], especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetilsalicílico. [Naturalmente, não utilizar tal corante é algo impensável.] [...] Benalet® é contra-indicado a pacientes que apresentam hipersensibilidade a qualquer componente de sua fórmula. [Minha parte favorita! É mais ou menos como dizer que 'pães são contra-indicados para quem tem alergia a massa de pão']" Informações úteis ao usuário leigo: "[...] Eliminação: a meia-vida plasmática da difenidramina varia entre 3 e 15 horas, após administração oral. O clearance plasmático [que termo bonito] da difenidramina varia entre 600 e 1300 mL/min². [...] Menos de 1% da dose é excretada na urina na forma inalterada." Efeitos de pouca relevância: "[...] Benalet® também é contra-indicado a pacientes que apresentam deficiência da função hepática ou renal, pacientes com glaucoma de ângulo agudo [só o nome disso já dá medo], hipertrofia prostática com formação de urina residual, epilepsia, síndrome de QT longo congênita, bradicardia, hipomagnesemia, hipocalemia, feocromocitoma [é óbvio que o redator está inventando essas coisas; vou indicar para ele o Lorem Ipsum para preencher áreas de texto mais facilmente], arritmias cardíacas, ataque asmático agudo e a pacientes diabéticos devido à presença de açúcar entre os excipientes. O uso concomitante de Benalet® com tranqüilizantes, sedativos hipnóticos [uau! quero um desses!], outros fármacos anticolinérgicos e/ou inibidores da MAO [MAO? já que a bula é grande, bem que poderia vir com um glossário] é contra-indicado. Benalet® também é contra indicado em situações que exijam grande atenção mental, como a condução de veículos ou a operação de máquinas pesadas. [...] Não deve ser utilizado durante o terceiro trimestre de gravidez; recém-nascidos e bebês prematuros podem ter reações graves como por exemplo convulsões. [...] Anti-histamínicos comumente causam tonturas, sedação excessiva, síncope, estado tóxico confuso e hipotensão em pacientes idosos." E, finalmente, a má notícia: "[...] Durante a administração de Benalet® deve-se evitar o consumo de álcool." MALDIÇÃO! Preciso lembrar de sempre procurar versões alternativas para alcoólatras. Enfim, não é o tipo de leitura que incentiva muito o consumo do produto, mas a dose já estava sendo administrada enquanto eu lia a bula. Em tempo: tudo que pedi ao farmacêutico foi uma pastilha para dor de garganta. |

August 4, 2005
[medicine review] Benalet, a pastilha do mal Posted at 12:16 AM Minha garganta dói quando tusso, engulo rápido demais, engulo devagar, viro a cabeça para a esquerda, me movo de alguma forma, entro no banheiro do Angeloni ou penso muito em alguma coisa; ocasionalmente, ela também dói sem motivo aparente. Ou seja: já está bem melhor do que na segunda-feira. A tal Benalet realmente funciona – e realmente causa muito sono. Depois de duas pastilhas, você só toma outra no dia seguinte, ao acordar do coma. Considerando este e os demais efeitos adversos (que por pouco não incluem "morte fulminante seguida de combustão espontânea e decida direta ao Inferno"), acho que não vale muito a pena. Isso sem contar os danos que ela causa por tabela: como a garganta fica anestesiada, você toma grandes goles de café quente brincando, e apenas quando o esôfago já está em chamas percebe que esôfago em chamas não é muito legal. Preferi descontinuar o uso, mas tudo bem. Quer dizer, tudo ainda está muito mal, mas tudo bem. Hoje, ao sair do trabalho, senti um certo incômodo na barriga e estranhei, pois não é horário de fome. Logo após a seqüência seguinte de tosse de Gollum, percebi que eram os músculos pedindo clemência. (Provavelmente o diafragma, embora doesse toda aquela parte do corpo humano que fica no meio do corpo.) Como minha família não agüenta mais me ver sofrendo, fizemos uma votação; decidimos tirar algum dinheiro do fundo de emergência e contratar alguém para me sacrificar. Estão abertas as inscrições para quem quiser continuar tocando As aventuras... no meu lugar. Nada que dê muito trabalho, basta saber psicografar. |

August 4, 2005
Eu tenho um sonho Posted at 12:18 AM Putz, acabei esquecendo de escrever essa; já é de mais de duas semanas atrás. Provavelmente não lembrarei de vários detalhes relevantes, embora tenha anotado o básico. Estava saindo do albergue de um sonho anterior – um sonho bem mais interessante, aliás, mas esse é segredo. Logo que cheguei à rua, percebi que ela estava mais vazia do que o normal. Ao longe, vi pessoas sendo atacadas por beija-flores gigantes! (Por "gigantes" entendam "do tamanho de pessoas".) Eles chegavam em vôo rasante e empalavam quem estivesse na frente; muito violentos. Quando um beija-flor do mal veio em minha direção, tive tempo apenas de quebrar um galho e defender-me com minha esgrima improvisada. Naturalmente, venci, pois quem estava sonhando era eu e não o beija-flor. No instante seguinte, out of the blue, eu estava dentro de um caça, perseguindo os comparsas do meliante e falando de jeito engraçado. Estranhamente, o caça era invisível. Na verdade, poderia ser apenas um banco preso a uma metralhadora, ambos invisíveis; eu não saberia a diferença. O sonho acabou mais ou menos por aí. (É, eu também fiquei decepcionado.) O importante é que, depois, fiquei tentando imaginar porque o caça é chamado de "caça". Por que não "caçador"? Ou será que o nome é mesmo caçador e "caça" é só um apelido carinhoso, como "japa"? Isso pareceu estranho, já que outros veículos militares não costumam ter apelidos. Não chamam submarino de "subinho" ou tanque de "Roger" ou "Cabelo". Enfim; quis apenas terminar este relato com uma informação ainda mais dispensável do que a descrição do sonho. |

August 4, 2005
Farinha é refresco Posted at 12:19 AM Relutei em tratar aqui de um assunto tão chulo, mas decidi registrar meu protesto; tento, assim, mudar o mundo enquanto tenho tempo. Saibam os que não andam por tais paragens: o banheiro do Angeloni de Capoeiras é bem decepcionante. Em primeiro lugar, ele tem cheiro de cocô. As torneiras são as mais falsas e mesquinhas, e sequer é possível colar uma moeda de 1 centavo no sensor, já que ele exige uma distância mínima para se deixar acionar. Finalmente, o papel do camarote é, para dizer o mínimo, indigno de confiança. Certa vez, puseram uma "marca" que se esfarelava ao menor contato – incluindo o contato de partículas suspensas no ar. Após vários minutos, avançando centímetro por centímetro, lá estava você com a mão cheia de confete. Imagino como seria a propaganda desse produto: "Experimente a agradável sensação de se limpar com um punhado de farinha!" Só ganha mesmo do banheiro do Beiramar Shopping, que tem as baias tão pequenas que você não consegue dar meia-volta se não abrir a porta antes. [Fico devendo para depois o review de Old Boy, que só agora passou por aqui.] |

August 11, 2005
Foi o vento Posted at 12:17 AM Estava todo perdido hoje, pela manhã, imaginando que deveria ter ventado bastante durante a noite. Placas tortas, outdoors derrubados, totem do Angeloni despedaçado (e o banheiro cheirando a cocô, infestando agora toda a área territorial do supermercado). Só depois ouvi falar em ciclone; mas o que realmente me intriga é outra coisa. No caminho, enquanto reparava nesses vestígios, o vento insistia em me empurrar para trás. Ah, sim; ser magro é ótimo, mesmo! As pessoas dizem que queriam ser como eu, mas não sabem como é andar contra o vento. Imagino que os indivíduos... digamos... gordos, enfrentem uma resistência do ar maior, o que tornaria o vento democraticamente chato para todos. Ainda assim, me parece injusto que eu não saia cortando o vento como uma navalha! As leis da Física sempre me desfavorecem! Newton, Einstein... malditos burgueses! Bom... talvez o problema verdadeiro resida nas blusas de lã, que tornam os magros maiores sem aumentar muito sua massa – favorecendo, na prática, a formação de pipas com pernas e polegar opositor. Se ao menos o vento tivesse deixado um trocadilho..... |

August 11, 2005
No poço não posso Posted at 12:19 AM Semana de chuva com adicional de frio é uma beleza. Todas aquelas coisinhas, aqueles detalhes que levam pouco a pouco à psicopatia. Tomar banho é começar o dia amaldiçoando todos os seres vivos. No ponto de ônibus, toda a alegria de ver os motoristas passando no maior gás, brincando de baleia e esguichando água gelada em todo mundo. O vento deixa o guarda-chuva tão xucro que você se molha menos se estiver sem ele. Ainda assim, há quem aproveite. Caminho para o almoço na terça-feira, chuva; um cidadão (que nem era muito mendigo) pára no meio da rua, se abaixa e lava as mãos em uma poça d'água. Out of the blue. Sinistro. Coisa de outro mundo. Do balacobaco. Fala aqui com o bonequinho. (Sim, o assunto já mudou; agora é "frases de efeito".) (Minhas favoritas são as frases de efeito moral.) |

August 16, 2005
Banheiro de cheiro novo Posted at 12:39 AM Sexta passada, ouvi uma conversa peculiar no banheiro do Angeloni: "- E aí, Bicudo, O Lobisomem; não vais passar lá?" "- Eu não vou na casa do demônio." "- O Nãoseiquem já foi lá em casa..." "- Nãoseiquem é um otário." Fiquei tentando imaginar o humor desse cidadão numa segunda-feira. E sim, eu percebi; ultimamente, só falo desse banheiro. Aliás, não sei se alguém que trabalha no supermercado acompanha As Aventuras..., mas hoje o banheiro estava com cheiro de desodorante de carro. Aquele genérico, de passar no painel; muito melhor que o odor tradicional de pessoa podre por dentro. Mas, afinal, quem definiu que o perfume de carro deveria ter o cheiro que tem? Porque a variação é muito pequena. O supervisor chegou no laboratório para conferir o progresso dos químicos-estagiários e disse "Bom, isso aqui ninguém vai comprar como colônia; vamos fazer uma linha de produtos automotivos"? Mais um mistério insondável que se perde nas espirais do grande caracolzinho. Como surpresa-bônus do dia, descobri um banheiro fenomenal, envolto pelas brumas do reino mágico de Camelot; aquele de Campinas. Sério; ele é bonito, com quadradinhos coloridos. Os camarotes têm aqueles vãos na base das paredes rebaixados, conferindo um adicional de privacidade e arrojo. Tudo é limpo e funciona, um sonho. Qualquer dia tiro uma foto e ponho no fotolog. |

August 16, 2005
Descole um adesivo Posted at 12:40 AM Há pouco mais de um mês, se não me engano, começaram a colar adesivos de propaganda no meu ônibus, atrás dos assentos. Isso pouco antes de aumentarem o preço da passagem, o que obviamente me deixou furioso: cobrar mais e esfregar propaganda na minha cara? Isso não podia ficar assim. Minha única saída foi contestar silenciosamente essa ordem social deturpada, baseada no consumismo desenfreado. Exato: eu comecei a depredar os adesivos. Inicialmente, pensei em rabiscar algo em cima, coisas como "Koerich is evil", mas é difícil escrever com o bicho em movimento. Sem espaço para sutilezas, o plano B entrou em ação. A cola do adesivo, porém, é especialmente odiosa e demora a desgrudar dos assentos – e dos dedos, depois. Tudo que pude fazer até então é ir descolando aos pouquinhos e dobrando as pontas para garantir que não recoloquem no lugar. Demanda paciência, mas o mundo precisa de um herói. Para meu orgulho, conforme as semanas avançam, mais e mais adesivos vêm sendo destruídos de maneiras criativas. Meu protesto começa a despertar a consciência das outras pessoas. Estou pensando em assumir a autoria dos protestos e, com a popularidade conseqüente, montar um culto e fazer bastante dinheiro. |

August 21, 2005
Por um trauma completo (parte 2) Posted at 09:37 PM Carol, posicionada para beliscar: "Posso?" Michel: "Não!" (Carol belisca.) Michel: "Você só torceu roupa..." Carol: "Não dá para beliscar mais nada! Você é só isso: osso e roupa!" Michel: =( |

August 21, 2005
[proper introductions] Renata Posted at 09:55 PM A Renata é conhecida pelos leitores deste blog como mais uma leitora deste blog. Ela mora no Brasil e provavelmente gosta de chocolate, como todas as pessoas de bem. (Há rumores de que também gosta de escândalos envolvendo celebridades.) Não é de Virgem, nem de Capricórnio. Usa a Internet, onde tem uma rede de contatos de, no mínimo, três pessoas. Trabalha em um lugar chamado "silviço", que provavelmente serve de fachada para alguma organização secreta, onde faz coisas secretas. Seus sonhos contém mensagens secretas e, secretamente, faz parte da sociedade secreta "Grécia Sem Creta". Isso é tudo o que se sabe sobre a Renata. |

August 22, 2005
Kriptonita Posted at 10:52 PM Até hoje, acreditava que minha habilidade para encadear pensamentos desconexos e confundir pessoas fosse imbatível. Hoje minha soberba encontrou seu fim; hoje, fui derrotado e humilhado. Com vocês, Michelly. Michelly: "Ai, eu não mandei a mensagem! Você não achou alguma? Você nem procurou, né? Porque você não procurou?!?" Michel: ... "Você disse que mandaria..." Michelly: "Eu sei, eu sei, mas estou tão ocupada, eu preciso ir no Ribeirão da Ilha. Você tem algumas prontas para convite de formatura, né? Deixa eu ver aí... não, não serve... nem essa... e essa, o que você acha? Ai, como você é bravo!" Michel: ??? Michelly: "Eu estava pensando, que tal se fosse assim?" (Fica algum tempo repetindo uma mensagem feita na hora, mudando alguma coisa a cada vez que repete; digita, me cutuca, digita mais um pouco.) "Você, menina, não sei o seu nome, me ajuda nisso aqui!" (Carol, desnorteada, oferece uma sugestão.) Michelly: "Isso, ótimo! Você gostou?" Michel: "...ahn..." Michelly: "Você não gostou???" Michel: "Sim, sim, é bom." Michelly: "Ai, que ótimo! Isso vai ficar pronto quarta pela manhã, né?" Michel: "Isso não depende só de mim. Concluir o arquivo é rápido, mas a entrega depende de como anda a produção lá atrás. E é sempre bom reservar um tempo mínimo para fazer qualquer ajuste necessário... blablabla..." Michelly: "Ah, mas eu não ligo pra cor não! Pode sair roxo, pode sair vermelho, eu não ligo!" [O serviço tinha a foto de um senhor e um pôr-do-Sol como fundo.] "Você se formou em quê? Michel: "Design." Michelly: "Ai, eu adoro isso! Queria estudar designer também; quer dizer, queria estudar moda, não tem nada a ver, né? Tem? Nãoseiquem faz decoração, eu faço Comércio Exterior, meu pai disse que não tem nada a ver, eu disse 'Pai, estou preparando o caminho para exportar minhas criações', não é?" Michel: "...ahn..." Michelly: "Não precisa ser num papel muito bonito não, pode ser num bem rápido, mesmo!" [Afinal, alguns papéis correm mais que os outros.] Michel: "...ahn..." Michelly: "Ai, quando fica pronto, me diz? Tem que ficar pronto até quarta, tem que ficar, tem que ficar!" (Sacudindo um Michel atordoado.) Michel: "Eu preciso confirmar a previsão de entrega." (Jose aparece na sala, interrompendo o ataque da overdose de cafeína ambulante. Depois sai e nos deixa com um silêncio chato de uns 3 segundos, o maior silêncio de toda a conversa.) Michelly: "Ai, eu tenho que ir no Ribeirão!" (Mexe os cabelos.) "Eu vou fazer uma comunidade no Orkut pra mim: 'Bonita sem Photoshop'!" Michel: ! Carol: ! Michelly: "E eu quero fazer um convite de casamento em forma de borboleta, não vai ser o máximo? O que você acha, não vai ficar ótimo?" Michel: "...ahn..." Michelly: "Você não gostou da idéia?!?" Michel: "Ele vai fechar como as asas de uma borboleta, é isso?" Michelly: "Isso! Não é o máximo?" (Jose chega.) Michelly: "Viu? Eu estava falando para ele, vou querer um convite de casamento em forma de borboleta! E é ele quem vai fazer!!! Eu quero que ele faça!" (Aponta para um Michel desnorteado.) Michel: =. Jose: "É? Já tem pretendente?" Michelly: "Não, mas eu arranjo! Para casar, tem que ter, né?" (Bombardeado pelo excesso de energia livre no ambiente, Michel atinge o ponto de superaquecimento e derrete.) |

August 29, 2005
Falta de consideração Posted at 05:39 PM Umas sete pessoas que conheço fizeram aniversário na semana passada. Ô pessoal, média de um por dia não dá; da próxima vez, vamos distribuir direito isso aí para evitar sobrecarga. |
