Entries for December, 2005
November 30, 2005Largar na frente não vale Posted at 11:20 PM As mulheres têm sexto-sentido, intuição feminina e, como bônus, recebem a faculdade de prever o tempo quando o primeiro filho atinge a idade escolar. Os homens não têm a menor noção de nada. Injusto, para dizer o mínimo. |

December 1, 2005
Desgraça-surpresa Posted at 07:51 PM Chuva, no verão, é até um negócio legal, quando vem educadamente; vento também. Chuva torrencial e vendaval são, se não aceitáveis, compreensíveis. Mas quem inventou de juntar as duas coisas e adicionar o fator surpresa merece uma surra de taco de golfe. E o que dizer da agradável sensação de frescor ao almoçar com vento nas costas? Só faltou chover na comida, porque cabelo ela já tinha. O meu. |

December 2, 2005
Sabor de verdade Posted at 10:24 PM Verdade súbita. Rápida, inegável e inevitável, como um tijolo que atinje você pelas costas. Tudo que pode fazer é tentar se recuperar. Com sorte, terá algum tempo para pensar antes do próximo impacto. Tive um momento desses há umas duas horas atrás e resolvi caminhar. Sempre me ajuda a pensar. Não que haja muito mais a entender: em poucos segundos, uma morna ilusão se torna uma ofuscante verdade e, leve o tempo que levar, você precisa acostumar-se à luz, porque não há como desligá-la. Não há volta. Não é como errar o caminho e tentar outra direção. Algumas revelações substituem o mundo inteiro por outro, não necessariamente melhor ou pior, mas sempre desconhecido. Não há lugar para ir, não há direção a tentar. A verdade é que os caminhos não devem ser trilhados. A verdade é que todas as coisas são a mesma. A verdade é que não há verdade. A verdade é qualquer coisa perfeitamente clara para qualquer um que não estivesse voluntariamente cego. Senti-me idiota por querer chorar. Não pelo que as pessoas poderiam pensar, mas por não ser capaz de nenhuma outra reação que não fosse tão patética e infantil. Isso não mudaria nada. Minto: mudaria; faria-me mais idiota ao meu próprio juízo. ... Voltei para casa com um sabor indefinido na boca. Ela estava seca, embora a saliva estivesse lá. Era o sabor da impotência que só o espírito pode sentir. Nem toda verdade é tão ruim, talvez apenas as súbitas. Mas qualquer verdade deveras doce vicia, encanta e, enquanto você a saboreia, lentamente se torna mais uma ilusão. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Yesterday’s answers Has nothing to do With today’s questions Life can only be understood in reverse But must be lived forwards... I’m losing my senses Megadeth, The World Needs a Hero (2001): Losing My Senses Come a long way to find What you really left behind You don’t know when the end is But it’s coming fast Megadeth, The World Needs a Hero (2001): Dread and the Fugitive Mind |

December 3, 2005
Contato Posted at 11:57 AM [Desconhecido que pediu-me para adicionar no MSN] lisjpia95@hotmail.com diz: heia;p MM4 (delirando) diz: olá... ... lisjpia lisjpia95@hotmail.com diz: hihi MM4 (delirando) diz: de onde vens? lisjpia95@hotmail.com diz: haha wjat? What? WhAtH? MM4 (delirando) diz: what what? lisjpia95@hotmail.com diz: ka? MM4 (delirando) diz: estarei eu fazendo contato com forças extraterrenas? Tone diz: WhAtH= =)? MM4 (delirando) diz: ok; who are you? Tone diz: =/? MM4 (delirando) diz: ? Tone diz: hæ? WhAtH? MM4 (delirando) diz: STOP TALKING LIKE YOU'RE STONED, gods! Tone diz: kæm æ snakke me? MM4 (delirando) diz: nascar vidi vici pindamonhangaba aplu [Silêncio] |

December 5, 2005
Argh. Posted at 11:29 PM Os motoristas parecem muito ansiosos no fim do ano. Já é normalmente chato atravessar a rua naquela rótula do Shopping Inter Fábricas; pois uma mulher, após parar sobre a faixa de pedestres e me observar enquanto dava a volta no carro dela, chamou-me pedindo indicações. Se eu pudesse parar naquele momento e sobreviver, seria para gritar "AOOONDE, minha senhora?"; e ela teria sorte por eu não estar com disposição para quebrar, queimar, pichar e mijar no carro dela. (Vide Manual do True Punk.) ... Hoje o gordo bobo feio chato careca e provavelmente publicitário motorista do Campinas achou boa idéia não parar no ponto para levar os designers para casa. Que as trevas o arrastem para junto de Hitler, Roberto "The Evil" Marinho e Severino Cavalcanti, o chefe da casa. ... Eu jurava que o Floresta havia entrado na rua errada e já ia protestar, mas ele estava no trajeto normal. Meus juramentos de hoje não valeram nada. ... Estava indo ao Giassi quando surgiu um relâmpago muito, muito claro. Todas as luzes se apagaram e imaginei que havia caído um raio num local estratégico. Dois segundos depois, percebi que tudo voltou ao normal, e que "as luzes se apagaram" porque minha retina ficou hipersensibilizada. Cool, uhn? Mas percebam: eu estava com o guarda-chuva, olhando para o chão para evitar as poças. O clarão foi forte o bastante para refletir luz branca em tudo, incluindo asfalto. Now that's something. ... Ao voltar do mercado, enquanto abria o guarda-chuva, um raio caiu bem na ponta dele. Eu fiquei meio atordoado por um instante, depois olhei para cima e gritei: "Try harder!" (Ok, esse último episódio não aconteceu. Mas vocês já estavam quase acreditando!) ... Aviso aos usuários: não tentem tirar a calça e a meia ao mesmo tempo, uma vez que ambas estão molhadas. ... Chega, eu estou deprimido. Tudo parece pior sob a lente do mau humor. |

December 6, 2005
Hip hip hurra! Posted at 11:28 PM Por que é que quando eu saio de casa está frio, quando saio do ônibus já está quente, quando saio para o almoço está chovendo e quando saio para casa, o ônibus só traz aborrecimento? Que desgraça de padrão é esse? AOOONDE, minha senhora??? Só pode ser culpa daquela mulher. Eu vou virar discordiano. Eu vou encadear idéias desconexas. Breakdown. |

December 7, 2005
Testando Posted at 11:22 PM Você vem caminhando pela rua até chegar a uma esquina. Nesse momento, um caminhão que faz a curva ao seu lado sobe na calçada, quase obrigando-o a encostar na parede do Raulino's. Você: a) Não faz nada. b) Dá um murro com toda a vontade na parte final do caminhão, mesmo sabendo que sua mão vai ficar doendo por uns 15 minutos, apenas para que o motorista se apavore achando que bateu em alguma coisa e pare algumas dezenas de metros depois para conferir. c) Resolve tomar uma atitude que realmente faça diferença e abra os olhos do mundo para a decadência da sociedade moderna, mas depois fica com preguiça e contenta-se em escrever uma nota rápida em seu blog. |

December 9, 2005
Super Micheranja® Posted at 12:24 AM Hoje vi um senhor na rua que eu jurava ser o Stan Lee. Andando despreocupado, como se fosse uma pessoa normal. Espera aí... para ele estar se fingindo de gente comum, só poderia ser a gravação de algum filme de super-herói! Será... será... que estavam gravando o longa-metragem do Super Micheranja? Será que finalmente a Marvel notou o potencial do "homem sem gripe"? Lógico, tudo faz sentido agora; ninguém me avisou para que a câmera pudesse capturar a espontaneidade do meu heróico dia-a-dia. De blog a filme em tão pouco tempo, que emoção. Não percam, em breve, o review, aqui, no blog oficial do Super Micheranja. Ê coisa. De quanto será que vai ser meu salário? |

December 15, 2005
O Senhor dos Pastéis: As Duas Padarias Posted at 01:23 AM Estava saltitando alegremente em direção à Big Pan quando me deparei, na entrada, com o abominável Garoto com Papel Amarelo na Mão. Após uma épica troca de olhares ameaçadores, quando finalmente galguei todos os degraus até a porta, meu adversário proclamou sua terrível mensagem: "Fechou". Fechou? Oh, deuses! Olhei para dentro e a padaria estava vazia; era tarde demais. Vencido, recebi das mãos do Garoto o papel amarelo – em vez do pão que acalenta os heróis depois da batalha. Aparentemente, depois de 5110 dias aberta 24 horas (o que parece um migué de proporções constantinóplicas), a Big Pan resolveu fechar sob a justificativa de carinho, reconhecimento, blablabla. Mas eu não vivo de reconhecimento! Carinho não põe mesa! Assim, cruzei todo o Kobrasol Médio em busca do Um Real de pão. No meio da perigosa jornada, precisei passar às margens da Loja Sibara, onde podia-se ouvir uma música ambiente natalina de natureza peculiar. Era como se os anjos tivessem descido à Terra trazendo um Phantom System no lugar da trombetas do apocalipse – junto ao cartucho "Christmas Suck!", de onde emanava uma maligna trilha sonora 'campainha-de-celular'. Felizmente, pude resistir até chegar à Shop Pão, que conta agora com nova fachada. E novo logotipo, que lembra um seio exageradamente volumoso e extrovertido. Mais: descobri que essa padaria, há muito não vista, também funciona 24 horas, com a vantagem adicional de oferecer video-poker. Tudo que eu poderia querer às quatro da manhã. |

December 17, 2005
I blame the bad company Posted at 01:10 PM Daniel diz: oi o server ta down MM4 diz: ah é? [...] só assim pra tu sair do jogo, né? =] Daniel diz: nao nada a ver [...] tenta logar o jogo pra ver se é defeito meu ou não [...] MM4 diz: não passa da tela de seleção de server Daniel diz: tenta fazer o update [...] MM4 diz: não consigo Daniel diz: entao o server ta bichado mesmo minha vida nao tem sentido quando o server esta down vou dormir [detalhe: 13h40] ate mais tarde |

December 19, 2005
Cascata Posted at 09:55 PM Aviso do canal de programação da Viamax: "Dirigir sem carteira de habilitação acarreta a perda de 7 pontos na carteira." Fiquei imaginando como fazem se você dirige sem a carteira porque simplesmente não tirou a carteira. E então? Descontam na cédula de identidade? Ou os pontos são convertidos em karma ruim? |

December 19, 2005
Bad company all around Posted at 10:22 PM Caso #1: Sr. Carlos C: "Michel, eu tenho um serviço pra ti, mas é perigoso. É um cartão de Natal que vamos fazer para um padre; se ele não gostar, vai rogar uma praga em você." M: "Hahahahaha!" C: "Estás rindo, é? Não te cuida, não!" (Pior que o padre realmente é do mal; foi todo gentil conosco, mas falava coisas como "Esse pessoal lá da igreja é incapaz de fazer alguma coisa direito, sabe? Dá vontade de pôr num saco com dois gatos e bater até cansar!") - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Caso #2: Sandro S: "O convite está praticamente pronto, né?" M: "Não. Faltam uns... vejamos... 70%." S: "Xiii..." M: "Você disse a ela que estaria pronto na segunda...?" S: "Er... não se preocupe, eu vou ligar de novo e me fazer de louco." M: "Hahahahahahahahaha!" S: "Sério; ela vai ficar sem resposta e a gente ganha tempo." - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Caso #3: Marcelo Mar: "Ô Gerson, esse valores aqui estão quebrados; não tem como a gente imprimir isso." Mic: "Deixa eu ver... hahahaha! Que conta foi essa? De onde a pessoa concluiu que precisa de exatamente 463 cartões de visita?" Mar: "Pois não é? Agora me diz: não dá vontade de chegar para um bicho desses e dizer SEU IDIOTA!?" Mic: "Pena que não haja um modo polido para que possamos chamar essas pessoas de idiotas." Mar: "Chamar de idiota não é polido?" Mic: "Não." Mar: "Que pena." - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Agora analisem e me digam se não estou trabalhando no lugar certo... |

December 24, 2005
Whatever Posted at 09:21 PM Queria dizer que, para mim, o Natal é apenas um dia como todos os outros, mas não é. É um dia em que todos estão ocupados comemorando alguma coisa – menos eu, que passo meu tempo tentando fingir que é apenas um dia como todos os outros. Independente do que as pessoas estejam comemorando, é um momento que passam em família. E aqui vai a dica número um para passar o Natal em família: tenha uma. Digo, uma funcional. Com afinidades e conversas. Talvez até afeição. Em todo caso, uma formada por pessoas das quais você não sinta medo, desprezo, ódio ou indiferença. Não é como se eu não tivesse pessoas queridas dentre meus laços de sangue, mas acabo separado delas nesta época; estas pessoas têm uma habilidade que eu não tenho: a de conformar-se com a fraude que fomos condicionados, aqui em casa, a chamar de família. Whatever. Criei-me acostumado a isso. Resolvi sair há pouco para ir ao mercado. Não que precisasse urgentemente de algo, apenas para sair. No caminho, alguém passou ouvindo músicas de Natal no som do carro. Dessas com harpas e coro de anjinhos castrati. Deuses, esse é o tipo de coisa que você é obrigado a ouvir quando entra nessas lojas babacas com som ambiente babaca! Não me conformo que alguém ouça isso espontaneamente. (Há outras coisas espontâneas que eu sugeriria à pessoa.) Enfim, passou por um segundo e continuou em seu caminho; serviu para me mostrar o quão irritadiço eu estava. Segui para o mercado por ruas desertas – à exceção de pessoas ocasionais na varanda, esperando por algo que elas não sabiam o que era. Ou sabiam, cá estou eu julgando. Cada um tem direito a olhos, pensamentos e dedos próprios. Whatever. O mercado estava fechado. Lindo. Eles haviam dito que fechariam no dia 25, nada falaram da véspera. E lá estava eu, naquela fração de segundo antes de mudar de direção – para que ninguém achasse que eu estava indo para o supermercado na noite de véspera de Natal, guri idiota, óbvio que vai estar fechado, como ele achou que estaria aberto numa data tão especial?, certamente estaria fechado, não é apenas uma desculpa para folgar – amaldiçoando a placa de "Obrigado" na porta. "Obrigado". Se fosse, ainda, "Desculpe"; pois andei até lá para nada. Mas andar não era o problema, eu gosto de andar. Aproveitei para esticar o caminho de volta – mas não muito. Inquieta-me andar por ruas desertas. Gosto de passar e ver as pessoas, acenar ocasionalmente, bater no vidro do aquário. Vê-las mexendo a boca e tentando imaginar o que diriam se fôssemos, elas e eu, da mesma espécie. Ruas são apenas ruas. Uma cidade-fantasma é apenas o reflexo do que poderia ser se tivesse vida. Vida? Ilusão? Whatever. Numa das mil concessionárias dos arredores, havia uma porta com um Papai Noel de papel afixado. Por que as pessoas precisam atribuir símbolos às suas comemorações? O que, afinal, estão comemorando? Uma fábula de origens incertas? Uma convenção religiosa? Uma desculpa para não trabalhar? Para viver? Para fazer o que deveriam fazer todos os dias? (Pensando numa frase que o Luiz havia deixado no MSN: "Se passamos somente um sétimo da vida trabalhando, porque a escola deveria nos preparar apenas para isso?") A essa altura, já estava me sentindo excepcionalmente ranzinza, cinza. Buscando sentidos demais, como se devesse haver um sentido além do que os sentidos captam. Além do automático, do induzido, do programado, do coletivo homogêneo, da clonagem mental. Deveria haver? 22:14h. Em breve, a única vontade que terei é a de ficar encolhido num canto, contemplando meu próprio autismo. Ou assistindo TV – a cabo, deuses, well done; onde ninguém fala de Natal e a programação é a mesma de um dia como todos os outros. Assistir TV, sem precisar interagir com pessoas, pensar em pessoas, fazer qualquer coisa associada a pessoas. (Droga, TV tem pessoas. Isso é um trabalho para o Animal Planet. Que não seja um especial sobre renas, que não seja um especial sobre renas, que não seja um especial sobre renas...) (Já contando com abdução e conseqüente embriaguez para tornar a virada do ano suportável.) Feliz o que vocês quiserem para vocês. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 04:09 edit Viram quem estava no Celebrity Poker Showdown? Chevy Chase. Ele é um druida que joga poker; fantástico. E olha que está velho como uma porta. |

December 29, 2005
CEV vê Posted at 06:57 PM So, today is de-day. Meu dia começou com um cartaz profetizando seu fim. Transcrevo aqui a mensagem: "Você está triste? Deprimido? Sozinho? Desabafe conosco! C V V. [Escrito à mão logo abaixo:] Caipirinha, vodka e vinho." =] |
