Entries for April, 2006
April 6, 2006No sense for you Posted at 10:06 PM Até tenho vários assuntos deprimidos para conversar com vocês, mas eu estou muito fascinante. Não, é o contrário. Pois, contrariando as expectativas, tenho me deixado cada vez mais enredar pelas expectativas, tanto boas quanto ruins. Ou seria o contrário? |

April 9, 2006
Impressões Posted at 11:01 PM Às vezes, quando a noite é um pouco mais longa do que o usual – ou quando as TVs estão ocupadas – meu pai vai para o quarto tocar violão, sozinho. Quer dizer: ele está sempre sozinho. Meus pais têm quartos separados, e não falam um com o outro. (Ou comigo, na prática; nossa casa é um pequeno grupo de pessoas sozinhas.) Enfim: ele começa a tocar violão e algumas notas escapam pelas paredes. Sempre tímidas, sensatas; como se abalar demais o silêncio fosse crime imperdoável. (Ou como se todo o bairro à nossa volta já não estivesse fazendo isso com muito mais desenvoltura.) Sempre melodias simples, mas que têm tudo o que precisam ter, como o canto dos pássaros. (É, eu adoro o canto dos pássaros. Cresci com a música diária dos bichos soltos.) Fico ouvindo o violão e posso imaginar claramente como era meu pai em sua juventude. Sei que era alguém que eu gostaria de ter conhecido. Aliás, não sei se essas são as músicas que ele tocava quando jovem, nas festas quase ingênuas do interior, ou se ele improvisa a cada noite. Em ambos os casos, me assombra que a música esteja tão impregnada em alguém que a experimenta poucas noites por semana (ou por mês), após dias invariavelmente áridos. Acho que sempre haverá uma ou duas coisas que poderia aprender com meu pai – e várias coisas a lhe dizer –, mas não é assim que nossa família funciona. Numa das várias casas da minha rua com sala comercial no andar de baixo, começaram a fazer reuniões de uma religião periférica qualquer. Uma em que alguém fica incitando o público com frases como "Porque o Senhor é um só!" e "Ele ama os bons e livra-os do pecado!", seguidas de vários améns e aleluias. Outro dia, havia apenas duas pessoas (um incitador e um incitado), o que me pareceu bastante estranho. Até que pude presenciar (sim, porque sempre deixam a porta aberta) uma reunião com muita gente, uns cinco grupos de cinco cadeiras cada, encaixados na sala minúscula, cada qual com incitador e séquito próprio. Todos lendo textos diferentes, com a exaltação típica dos evangélicos; apenas os améns e aleluias eram compreensíveis na balbúldia. Mais adiante, na praça, estavam fazendo um showzinho com uma banda cristã. Eu não acho que ter uma igreja em frente à praça dê a alguém o direito de usá-la para isso, ou de achar que todo mundo considera bem supimpa esse tipo de coisa. Aliás, o público do tal show não era muito maior que o dos evangélicos da minha rua. Mas o que realmente me incomoda é essa prepotência de achar muito bonito ficar forçando suas crenças sobre os outros. Para cada "Aleluia, aleluia, aleluia, amém!" da música, eu ouvia mensagens distintas. Coisas como "Nós acreditamos que os homossexuais devem queimar no inferno, lalalááá... acreditamos que a 'vida' de um ser humano de 200 células vale mais do que a de uma mulher estuprada, lalalááá... controle de natalidade e planejamento familiar devem ser extirpados da sociedade, lalalááá... nós achamos proselitismo lindo, mas só se for o nooosso... LALALÁÁÁ!" E esse buzinaço que invariavelmente segue cada vitória do Figueirense? Malditos humanos. Vão buzinar na cara de suas mães, safados! Aqui e acolá, você ainda encontra torcedores que, não contentes em dirigir bêbados, continuam bebendo enquanto dirigem. O que me parece um pouquinho ilegal. Mas o que eu entendo de arte, afinal? (Opa! Frase de efeito errada. Não fez sentido aqui. O que é bom, não? Engraçado... onde minha mente foi parar?) |

April 10, 2006
Determinação: teoria da mídia na prática Posted at 01:03 AM Malditos capitalistas que deixaram Syriana em exibição apenas durante uma semana, apenas em uma sala de um cinema, apenas em dois horários por dia (ambos escrotíssimos). Resta agora torcer para que entre en cartaz no Cine York. Por outro lado, a Fox estava exibindo Waking Life. Jamais imaginei ver isso na TV, mesmo num canal pago. Discussões filosóficas extremamente densas – aliás, o filme é constituído apenas por essas discussões –, apresentadas em animações pra lá de alternativas. Totalmente DCE e Maringá-like. (Para vocês que não conhecem o Maringá, não estou muito a fim de explicar quem é. Procurem no Google.) |

April 13, 2006
Questão de ponto de vista Posted at 11:58 PM Anteontem acordei com especial relutância. Vários e vários segundos me debatendo na cama, totalmente convencido de que o despertador deveria ser solenemente ignorado. "Droga, 7:50h! Por que deixei o alarme ativado se já é sábado?". (Eu estava viajando totalmente – e tão certo de que a semana já havia acabado que poderia convencer o resto do mundo se tivesse chance.) Não teria sido tão ruim se eu não tivesse ido dormir às 2:00h. E se eu tivesse a chance de acordar às 7:30h, andar até o rádio-relógio, ajustar o alarme para 7:50h e dormir mais 20 minutos – como faço todas as manhãs –, mas havia esquecido de retroceder os 20 minutos na noite anterior. Bom, na verdade eu estava acordando às 7:30h; sempre deixo o despertador 20 minutos adiantado, como forma de enganar essa segunda personalidade, o eu-recém-desperto, e evitar chegar atrasado ao trabalho. Por incrível que pareça, o eu-recém-desperto só é capaz de perceber que foi enganado (como em todos os outros dias) quando já é tarde demais. Mas mesmo o eu-desperto preferiria ter acordado às 7:10h, dito ao eu-recém-desperto que eram 7:30h, ajustado o alarme novamente para 7:30h e acordado apenas para dizer ao eu-recém-desperto que já eram 7:50h e que todos nós nos daríamos muito mal se continuássemos dormindo. Ocasionalmente, tirei forças sabe-se lá de onde e até cheguei à gráfica alguns minutos adiantado. Não sem efeitos adversos. Fui para o almoço seguindo o mesmo caminho de sempre. (Isso porque, well, é o único caminho que faz sentido.) Em frente a uma empresa de sei-lá-o-quê, havia uma guarita com uma peculiaridade no mínimo intrigante: fixada no lado de dentro da porta, havia uma pequena placa dizendo "guarita". "Que diabos," pensei, "já vi toda sorte de insanidades por aqui, mas por que não colocar, então, uma placa dizendo 'janela' sobre a janela?" Será que o guarda tinha memória de peixe dourado e precisava de um lembrete para saber onde estava? Fiquei inquieto durante todo o almoço tentando entender o porquê da placa. É como haver, do lado de dentro de um armário, uma placa dizendo: "Varning! Você está dentro de um armário. Caso não saiba o que está fazendo aqui, use o telefone à sua direita para pedir ajuda. Caso não saiba o que é 'telefone', é este aparelho à sua direita. Caso não saiba o que é 'aparelho', diga isso bem alto, repetidamente, até que alguém venha ajudá-lo." Embora estivesse determinado a desvendar o mistério, ainda não consigo entender a lógica de se identificar um cômodo pelo lado de dentro. Quanto a tal guarita, não há mistério nenhum: a porta estava aberta para dentro, mas eu havia achado que seu vão era mais uma janela de vidro. Patético. Dei folga ao meu cérebro pelo resto do dia e não fiz nada além do metabolismo basal. |

April 25, 2006
Coisas a acertar Posted at 12:23 AM Uma "pergunta muito chata" da Coruja me fez perder as noções de tempo e espaço e viajar pelo passado no piloto automático. E o Google, por uma coisa boba que conseguiu encontrar, já arrisca arruinar a semana toda. E mais uma vez me sinto idiota por começar a repensar tudo isso. Ah-well... Coruja, a conta da terapia vai pra você! =D |

April 27, 2006
Rocambole Posted at 01:43 PM Ao sair de casa, vi um cara com chapéu de vaqueiro passando na rua. "Que estranho", pensei. Eis que, poucos segundos depois, percebo que era MEU PAI. Pô, não é por nada não, velho, mas na rua, não te conheço. =P Quando estava escovando os dentes, dois caras se encontraram no banheiro. Um deles falou "E aí, mestre?", e tive muita, muita, muita vontade de gritar "Uála!!!", mas ia fazer muita sujeira. Fui deixar a Carol no guarda-volumes e o número 28 estava com a fechadura meio torta. Tentei o 32 (que curiosamente ficava logo ao lado) e estava meio emperrada. "Oh, come on!", eu exclamei; e depois fiquei imaginando quão estranho as outras pessoas achariam ver alguém falar com um guarda-volumes em inglês. O Rocambole do Angeloni é barato. Acho que vou começar a almoçar rocambole. =] Mais assuntos desconexos no próximo episódio. |
