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As aventuras do Super Micheranja
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Entries for May, 2006

May 8, 2006
Director's cut (1)
Posted at 12:07 AM

De uma coisa não posso reclamar: meu emprego rende vários diálogos criativos. Pena que a maioria permanece apenas imaginado; poucos são postos em prática.

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cliente (no telefone, devendo o material há uma semana): "Escuta, nós precisamos desse folder com urgência! Se eu te mandar os textos e as correções do layout na segunda pela manha, até o meio-dia fica pronto?"

Michel: "Não podemos garantir que fique pronto até o meio-dia, mas certamente não passa de segunda-feira."

cliente: "Mas tu consegues, né? Fazer pela manhã...?"

Michel: "Não vou afirmar nada que não possamos cumprir; garanto que fica pronto segunda-feira, e que tentaremos enviar antes do meio-dia."

cliente: "Tudo bem... obrigadão, viu? Abraço!"

(Na hora do aperto, são sempre os mais amigáveis do mundo.)
Manhã de segunda-feira, já passando – bastante – das dez:

cliente (telefone, logo após mandar o material): "Michel, como fica? Tu vais fazer até o meio-dia, né?"

Michel (tentando evitar em suas falas o uso de todos os impropérios que conhecia – e mais alguns inventados especialmente para a ocasião): "É complicado, mudaram praticamente todas as páginas. Não há como fazer isso tão rápido."

cliente: "Mas até às duas da tarde tu consegues, né? Eu preciso mostrar isso numa reunião!"

Michel (lembrando que isso já poderia estar pronto uma semana atrás se o cliente tivesse noção de espaço, tempo e decência): "..."

cliente: "Consegues?"

Michel: "Now, you don't need that money when you look like that, do ya honey?"

cliente (num minúsculo lampejo de sanidade): "E será que tu consegues mandar até às três horas, então? Eu posso começar a reunião e ir enrolando até que tu mandes o e-mail. Mas eu preciso mostrar esse material hoje, tem um pessoal que veio de Nova York para essa reunião!"

Michel: "Escuta, querido animalzinho: não esqueçamos que eu estou sendo bem legal e fazendo isso por você como um favor – isso porque não sei se você é amigo do meu chefe ou não. Eu tenho várias coisas para fazer, todas estão esperando na fila há mais tempo que esse folder boboca e, ainda assim, eu estou ajudando você. Aliás, por que diabos quer mostrar um folder enviado por e-mail para alguém que veio lá de Nova York? Mostre a cidade, as praias, as mulheres; eles vão ficar muito mais felizes e dispostos a investir na sua empresa se você levá-los para fazer coisas legais em vez de mostrar o mesmo folder que eles poderiam receber por e-mail lááá na cidadezinha deles. Aye?"

Michel (lutando com todas as forças para evitar dizer tudo o que invadia seu coração, o que deixaria os Ursinhos Carinhosos decepcionados): "... ..... ok."


May 8, 2006
Director's cut (2)
Posted at 12:28 AM

formanda (representando a comissão de formatura): "Eu achei esta outra foto na Internet, para que você veja se dá para usar..."

Michel (olhando desoladamente para a bosta da foto que a mulher havia encontrado): "Tudo bem, vou explicar mais uma vez, agora com termos mais acessíveis. Imagine que você queira vestir um boi com a minha camiseta. Vai dar certo? Não. Por quê? Porque esta camiseta foi feita para vestir um Michel, um boi humano, e não um boi em formato de boi. Dá pra fazer, mesmo se o boi for bravo; mas o resultado será algo claramente errado, porque o tamanho e o formato não servem."

Michel: "É o mesmo caso das outras [várias] fotos que você trouxe. A qualidade está adequada para ver no monitor, mas não para imprimir."

formanda: "Mas olhando a imagem assim [no monitor, quadrúpede! O que foi que acabei de dizer?], parece tudo certo..."

Michel: "Tem gente nos Estados Unidos que olha para o governo Bush e acha tudo certo."


May 9, 2006
Saibam
Posted at 09:52 PM

Passa O Mundo de Beakman no Boomerang. Lembro de assistir todo dia quando era já não tão moleque. Vinhetas, cenários, cabelos, pingüins, música dos créditos; tudo é muito mais cool no mundo de Beakman.

Hoje aprendemos que explosões acontecem quando as coisas ficam muito grandes, muito depressa.

Beakman Beakman Beakman Beakman Beakman


May 10, 2006
Abre gafe
Posted at 12:08 AM

Época de faxina lá na gráfica. Quer dizer, eu só fico olhando. E eis que o Gerson desenterrou uns tais anuários da ABIGRAF. E disse que eu poderia levar para casa o mais antigo, de 2002. =]

Percebam, é o tipo de coisa feita especialmente para impressionar gente de gráfica: acondicionado numa caixa estranhíssima, páginas de um couché magnífico intercalado com papéis de luxo, toda uma pirotecnia da ponta na produção de efeitos especiais impressos. Capa com aquele acabamento de termolaminação macia que pode substituir travesseiros. Coisa pra fazer o Hans Donner perder uns minutos folheando – porque só falta mesmo ser animada, a desgraça.

Pesado como as árvores de que foi feito. Cada unidade deve ser tão cara que distribuem de presente, já que ninguém compraria. Mesmo porque está entupido de propagandas (o que é legal; é onde usam papéis divertidos e hot stamping holográfico multicolorido), embora não deixe de ser estranho ver gráficas fazendo propaganda para outras gráficas. E lá, entre todas as do Brasil, está a Natal, com a relação completa de serviços oferecidos então. E as outras escassas gráficas de Floripa. E sabe qual está entre elas, Hique? COPYFLO! Hahahaha... só pra fazer número, mesmo.

No fim das contas, é algo impossível de ler; só para folhear, mesmo. E escolher cores, porque todas estão ali.

[Temo que isso marque minha irreversível incursão no mundo impresso, o mesmo para o qual torci o nariz durante quase todo o tempo de faculdade.]


May 21, 2006
Escolhas
Posted at 06:05 PM

Às vezes me impressiono com as decisões cretinas que meu piloto automático toma.

Estava há pouco com vontade de comer alguma coisa doce. "Chocolate, hmm... chocolate! Aw, não tem chocolate... Ei, tem sorvete na geladeira! Hmm... sorvete... Mas espera; ontem à noite eu tomei sorvete na sala e fiquei morrendo de frio depois. O clima não está contribuindo muito. Hmm. É. Vou colocar uma blusa, então."

Quando já estava passando a blusa pela cabeça, eu cheguei: "Véi, por que você faz essas coisas enquanto não estou aqui? Sabia que existem bebidas quentes?"

"Mas é sorvete..."

"Hmm... ok. Sorvete... nhaaaaam! Ao menos, ninguém precisa ficar sabendo disso."

(Ops!)


May 21, 2006
Surpresa!
Posted at 07:05 PM

Vasculhando a Wikipédia a partir de algum outro assunto totalmente não-relacionado* (como sempre), acabei caindo nesta página:

Anti-rape female condom

Por mais bizarro que seja, é também, no mínimo, engenhoso: algo como uma camisinha feminina, mas farpada por dentro para prender-se em... ahn... intrusos. No futuro, pode acabar sendo incorporado em práticas sexuais extremas; atualmente, a intenção é inibir estupros. A bichinha agarra no coiso do gajo, causa dor e só pode ser removida cirurgicamente (e parece muito constrangedor chegar a um hospital com isso). A inventora, Sonette Ehlers, insiste em chamar o dispositivo de Rapex – que deve soar tão bisonho em inglês quanto "estuprex" para nós.

Parece algo um tanto extremo, e a idéia é que seja. Seria uma forma de combater tais agressões na África do Sul, que alguns estimam vitimar mais de um milhão de mulheres por ano no país, incluindo crianças. (De fato, 1 milhão e 69 mil – e essa é a estimativa mais modesta.)

Aí vêm umas mulheres de lá dizendo que é uma solução medieval e vingativa. Que deixará o agressor furioso e fará com que mate a vítima. Sem querer desmerecer o raciocínio de ninguém, e com o devido respeito: só acredita nisso quem não tem pinto. Se os caras souberem que uma mulher pode estar usando um negócio desses, já vão pensar três vezes antes de investir. Depois, se o maroto se vê com a armadilha enganchada na torneira, vai acabar ocupado demais chorando e pulando para ter tempo de pensar em tentar matar alguém. (E, até então, quem está disposto a matar pode muito bem fazer isso se a caixinha não tiver surpresa.) A tia Ehlers, que tem lá sua experiência na área médica (seja lá o que for uma "medical technician"), garante que a dor é suficiente para incapacitar o agressor, mas que o aparato não causa danos permanentes e não oferece risco de ferir a usuária. [Convenhamos: se causasse danos mais sérios ao agressor, não seria de todo injusto; mas acho que uma guilhotina em miniatura seria mais difícil de implementar. Aliás, não tem uma piada que é assim? Ei, estou desviando do assunto.]

Na minha humilde opinião de não-mulher, não-sul-africano, não-medical technician e não-bem informado da situação toda: deixem vender. Que cada uma possa julgar prós e contras e decidir se usa ou não. Eu acho que desencorajaria os estupradores; ao contrário das penas de detenção, a punição é automática e sem apelação. Quer dizer... por si só, já é uma apelação, mas essas mulheres também não vivem no ambiente mais agradável de todos. E vingança vale sim, para quem se mete onde não é chamado.

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* Começou com "Old wives' tale", que levou a "Urban legends", que levou a "Sexual urban legends", que levou a "Vagina dentata", que levou a "Anti-rape female condom".


May 22, 2006
Conspiração
Posted at 07:27 AM

Todos têm sido muito elegantes comigo na rua hoje. Abrem espaço para passar, esperam na faixa para que eu atravesse. Estão aprontando alguma – ou já aprontaram.