Entries for June, 2006
June 5, 2006Proud to be a sea monkey Posted at 12:59 AM Já perdi a conta de quantos filmes clássicos ou semi-clássicos deixei de assistir por um ou outro motivo de menor importância. Ou não ia com a cara de algum ator, ou achava que o tema não poderia render nada interessante, ou não gostava do nome, ou coisas assim. Nunca assisti nenhum Poderoso Chefão, por exemplo, e por muito pouco acabei vendo Laranja Mecânica inteiro. (Naturalmente, há também o preconceito com qualquer coisa feita antes de eu ter nascido.) Justamente por saber que sou assim, vez ou outra me obrigo a dar atenção a algum filme – e fico satisfeito em vários casos por tê-lo feito. Na quinta-feira passada, a Fox (re-re-re)exibiu O Segredo do Abismo, que tem reputação respeitável nas rodas de ficção científica. Nunca consegui agüentar muito além das primeiras aparições dos bichos do abismo. Ou caía no sono, ou trocava de canal para assistir algo com menos água, ou tinha minha atenção roubada por alguma outra coisa mais brilhante ou colorida. Desta vez resolvi ser justo e assistir até o fim. Well. Que filme feliz. A princípio, tudo é muito angustiante e sufocante. Bom, ao menos eu me sinto sempre angustiado e sufocado nesse tipo de história. Quando era criança (e hoje não é muito diferente), ficava muito apreensivo com cenas em que alguém tinha que passar muito tempo sob a água. Eu costumava prender a respiração enquanto assistia para verificar se teria sobrevivido no lugar do personagem. Naturalmente, eu faria tudo ao meu alcance para nunca sequer chegar perto de estar no lugar do personagem. Assim como nas histórias ambientadas no espaço, todos os veículos nesse tipo de filme se movem muuuito lentamente. Não era à toa que eu não conseguia assistir isso, tem tudo o que não gosto; só faltou o Kevin Bacon. O roteiro usa uma insalubridade qualquer, característica dessas profundezas, para tornar menos implausível a presença de um antagonista que será invariavelmente derrotado – apenas para retardar a parte do filme que todos querem realmente ver, que são as coisas do abismo. E esse é o momento em que tudo passa de angustiante para angustiantemente feliz. Todos ficam cercados de criaturas extremamente dóceis, luminosas e boazinhas que não fazem absolutamente nada além de ficar de bobeira no fundo mais fundo do oceano esperando improváveis visitas e uma oportunidade de serem golfinhamente amigáveis. Não há qualquer relação com nada, nenhum mito, nenhuma lenda, nenhuma ligação com fenômenos naturais ou sobrenaturais. O roteirista simplesmente achou boa idéia criar algo do nada e que parece vagamente ligado a alienígenas, mas sem nenhuma alusão muito profunda a respeito. Para tornar tudo ainda mais odioso, esses momentos são acompanhados de uma trilha sonora animada e saltitante. A essa altura, eu já estava torcendo para que Godzilla, Kraken – pra que economizar? Tragam logo o Cthulhu – saísse de alguma fenda sombria e devorasse todo mundo. Especialmente aquela mulher. Até tinha esperanças de que alguma reviravolta revelasse as verdadeiras intenções dos seres do abismo, mas o flme realmente não reservava nada decente para eles além dos efeitos especiais. Perdi mais de duas horas nisso. Você assiste Esfera e ganha a mesma coisa: água, angústia, efeitos especiais e sono. E este, ao menos, tem o Dustin Hoffman. |

June 10, 2006
The proudest monkey-knuckle Posted at 11:47 PM E temos Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, filme que relutei muito em assistir. Mesmo deixando de lado a idéia extremamente genérica do roteiro, ainda existe o problema da mocinha ser a Gwyneth Paltrow. "Deuses, não tem nem como começar", eu disse a mim mesmo quando vi o trailer, na época em que estava chegando aos cinemas. Certo que, para balancear, o herói é o Jude Law, mas era um pró para dois contras; nada feito. Como estava comendo em frente à TV e nada melhor estava passando, resolvi assistir apenas por uns minutos. (Era isso ou deixar no canal que informa a programação.) E não é que não consegui parar antes que essa desgraça terminasse? Não me entendam mal: o roteiro realmente é genérico, Gwyneth Paltrow continua uma bomba e, algo de que não lembrava, temos também Angelina Jolie na história (embora, felizmente, apareça apenas de forma periférica). O que achei genial, porém, foi a linguagem. O filme tem esse maravilhoso clima steampunk que não se vê com muita freqüência. Bom, não havia nada movido à vapor... ou qualquer coisa minimamente categorizável como punk... mas, sabe... esse clima. E uma certa inocência típica dos filmes antigos; a idéia de que tudo vai dar certo, seus amigos vão ficar bem e que tudo tem jeito se você não perder a cabeça ou a coragem. Exatamente o tipo de filme pelo qual eu sentiria repulsa automática se estivesse sendo descrito por alguém, mas que me agradou na prática. Assim como eu teria odiado Moulin Rouge se alguém tivesse descrito. É por isso que nunca deixo ninguém descrever filme nenhum. |

June 13, 2006
Magnetismo Posted at 12:34 AM Estava, como sempre, almoçando na praça de alimentação do Angeloni. Numa das mesinhas, havia um senhor solitário com um buquê de rosas à sua frente. Estava claramente esperando por alguém. E nem era desses buquês genéricos; ele era, assim, cheio de umas paradas. Aí eu fiquei divagando, imaginando a história do tal senhor... parecia ter uns 50 e tantos anos. Pensei: "Espero também ter disposição para fazer essas coisas quando tiver a idade dele". Eis que ele se levanta, com um sorrisão no rosto, ao ver alguém entrando pela porta. "Lá vem a esposa dele. Vai fingir surpresa, mesmo passando por isso todo ano; essa papagaiada toda." Eu me viro e vejo um cara de pouco mais de 20, vestindo uma camiseta rosa. Ele se aproxima do senhor, que já estava com o buquê nas mãos. "Oh, deuses! Se eles se beijarem, eu me enforco com este guardanapo!" Hahaha... pô! Eu sei que a sociedade moderna demanda uma mente cada vez mais aberta, mas eu só consigo lidar com um tabu de cada vez. O envolvimento amoroso público de um velho romântico com um rapaz muito mais jovem fazendo o papel da mocinha é um pouco demais para mim. Mas eles não se beijaram, não; conversaram brevemente, e então o velho voltou a sentar-se com o buquê sobre a mesa. Devia ser filho dele ou algo assim. Fui escovar os dentes e, quando voltei, o senhor já havia sumido. Sentei num banco para ler um dos quadrinhos que o Moita havia emprestado. Estava perto da exposição de quadros. Um outro senhor se aproximou, perguntando se era eu o pintor ou se estava apenas cuidando. "Na verdade, nem uma coisa nem outra", e logo voltei aos quadrinhos. O senhor pediu desculpas e ficou parado em pé na minha frente. Ficou olhando meio que para o teto, virado de lado. Esticou o dedo e começou a cutucar o meu ombro, como uma pessoa distraída que põe mais café do que cabe na xícara. "Porra", hahaha, "COÉ DA PARADA, VÉI???" Nem falei nada, mas estava lá, tentando ler, com um velho espetando meu ombro. "Desculpa, viu, jovem?" Do nada, foi embora. Nunca, nunca vi essas coisas acontecerem com outras pessoas, só comigo. Eu atraio bêbados e pilotos automáticos. |

June 15, 2006
Overkill Posted at 12:42 AM Hoje foi o pior dia de toda a história dos dias. Com trabalho até o pescoço e ainda tendo que tirar os outros da forca. Chegar cedo, sair tarde, sempre assombrado pela lembrança de ter que fazer hora extra no feriado. Na rua, todo mundo queria passar com o carro em cima de mim. Tudo bem que a seleção jogou como um bando de meninas – er... desculpem, meninas –, mas as pessoas não precisavam descontar isso em mim; havia vários outros pedestres pelas proximidades. E só de pensar que a tendência é piorar... |

June 15, 2006
Argh. Posted at 09:39 AM Como a magia da vida está na troca de experiências e a maioria de vocês não está trabalhando no feriado, resolvi deixar aqui meu relato para que possam imaginar como é. É uma bosta. Maiores informações a qualquer momento. |

June 15, 2006
Intervalo Posted at 12:55 PM Horário de almoço. Não cheguei a comentar que estou sozinho aqui, né? Essa é a parte divertida. Infelizmente, não é tão divertido quanto ficar sozinho num supermercado, onde você pode implodir a seção de doces e bobagens em geral. Não é algo "Yahoo, vou passar tinta offset na cara e brincar de índio!", mas ao menos posso ouvir música no talo. Quer dizer, acho que posso... hahaha... o vizinho reclamou certa vez do barulho do condicionador de ar que esqueci ligado. =P Bom, perdeu. Se ele reclamar que não tem sossego, eu argumento dizendo que não tenho feriado. |

June 15, 2006
Coisas para fazer sozinho Posted at 01:01 PM Eu poderia escanear a minha cara e imprimir em papel de prova. É a impressão mais bonita que já vi de uma jato de tinta – aliás, fica mais bonita que a própria impressão offset. Eu poderia fazer isso agora. Pena que o papel seja caro e eu seja tão caxias. |

June 15, 2006
