Entries for August, 2006
August 1, 2006Imagem não é nada Posted at 12:15 AM Hoje um cliente chegou no telefone, já sorrateiramente: cliente: "Escuta, eu queria te perguntar uma coisa, saber se dá pra ser feito. Quer dizer... eu sei que dá pra ser feito, só queria saber se há tempo hábil para isso." Michel: [Lá vem.] cliente: "É o seguinte: eu queria usar umas fotos de algumas pessoas para o catálogo, mas eu não tenho permissão delas..." Michel: [Lááá vem...] cliente: "... então queria saber se você pode alterar as fotos no Photoshop para que elas não sejam reconhecidas, sabe? Aumentar o nariz, puxar o olho, essas coisas. Dá pra fazer, né?" Michel: [Hahahaha!] "Um momento, por favor." [Hahahahahahahahahahaha!] "Olha, não tem como você conseguir a permissão dessas pessoas? Acho que a única forma de alteração que realmente descaracterize o uso da imagem pessoal são aqueles borrões ou quadriculados que usam na TV. Fora isso, a pessoa vai reconhecer a própria foto se vir." [Sem contar que, se não quisesse processar antes, certamente vai querer depois de ver uma foto onde está com o nariz maior e olho puxado.] cliente: "Ah, é, né? E você acha que vai ficar ruim se deixar a pessoa borrada?" Michel: [Longe de mim, toda pessoa borrada é linda.] "O seu contrato não prevê que possa usar as fotos como amostra do seu trabalho?" cliente: "É, não... é... o meu contrato não tem isso, não. Bom, eu vou ver o que eu consigo e depois te digo como ficou." Pior que provavelmente as pessoas envolvidas não dariam a mínima. O cliente quer usar uma foto de um álbum de casamento que fez, em um tamanho final bem modesto. Mas achei encantadora a facilidade que ele tem para encontrar soluções práticas e fáceis para os seus problemas. |

August 9, 2006
Lições de vida Posted at 12:49 AM Sandro: "Olha que esculhambação! Normalmente, a parte reta do cabo do carimbo indica quando ele está na posição certa – e não de cabeça para baixo, por exemplo. Esse aqui está com o cabo totalmente torto, que coisa malfeita." Michel: "É que... o cabo soltou e eu tive que colar de novo. Não sabia dessa história de 'parte reta'." Sandro: *Olhar de reprovação* Michel: "Oh, desculpe-me por não conhecer as minúcias do fantástico mundo dos carimbos!" - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Estejam, pois, avisados, ó incautos usuários de carimbos. |

August 11, 2006
Avelã Posted at 01:39 AM E então essa empresa de salgadinhos, com humilde projeção no mercado da época, apareceu com sua fórmula revolucionária. As pipocas podiam ser comercializadas nas embalagens típicas de salgadinhos sem degradação da experiência palada... palati... palapa... ahn, do paladar. Nada de pipocas de isopor em sacos plásticos rosados; estamos falando da pipoca de verdade, aquela aclamada pelas massas; a companheira clássica dos filmes. A nova fórmula permitia conservar a crocância por muito mais tempo (e alguns juram que até mesmo o calor característico da pipoca recém-estourada se mantinha por semanas). O mundo estava extasiado. Finalmente, após guerras e outros contratempos, a humanidade evoluiu o suficiente pare desenvolver the ultimate pipoca. A primeira campanha ("Cocrante, como você.") tinha alguns problemas e tropeçou desastradamente enquanto as equipes de marketing e publicidade se acostumavam à situação. Em pouco tempo, porém, a febre da pipoca tomou conta de todos. Grande parte dos petiscos perdeu espaço para a pipoca pronta; seis meses depois, era parte do dia-a-dia de pessoas de todas as idades. A procura pelo produto era colossal. Na busca de maior eficiência para suprir a demanda, novos modos de produção foram testados e incorporados. O maior problema era a separação das pipocas perfeitas, que todos viam nos comerciais de TV, dos inevitáveis grãos não estourados que restavam nas gigantescas panelas de pressão industriais. A idéia inicial era seguir um modelo já existente: centrifugar tudo para que os grãos inférteis, mais densos, se alojassem no fundo, facilitando o empacotamento da parte que realmente interessava. Infelizmente, um percentual significativo dessa parte acabava amassado e deformado pela ação da centrífuga, e o público já não se contentava com nada menos que a pipoca dos seus sonhos, pois era o que a publicidade prometia. A separação manual também trazia problemas – por ser mais lenta e por um pequeno incidente isolado envolvendo filiais asiáticas e condições higiênicas, digamos... nebulosas. A humanidade precisava evoluir um pouco mais. Em dois anos, estava completamente implementado o novo padrão de produção. Depois de prontas, as pipocas tinham sua densidade averiguada, uma a uma, através de um feixe de raios ultraobscuros. Cada pacote podia agora ser preenchido inteiramente por pipocas perfeitas, todas com o mesmo peso individual e com a taxa adequada de... daquela parte branca... em comparação à outra parte. Como solução definitiva para a questão higiênica relacionada ao contato humano (ou mesmo mecânico), foi posto em prática um novo sistema de teleporte pontual que transportava as pipocas selecionadas diretamente para dentro dos sacos previamente fechados. O risco de contaminação por qualquer coisa era nulo. Por algum motivo insondável – transição dos ciclos de Kondratieff, nova evolução da humanidade, ou talvez incompatibilidade de gênios em escala planetária –, as vendas despencaram. As pessoas pararam de querer pipocas perfeitas, previsíveis, calculadas. Fnord. Elas queriam todas as irregularidades que caracterizavam a verdadeira pipoca, incluindo os grãos impalatáv... imp... bom, os incomíveis. Logo as pipocas artesanais tornaram-se a nova febre entre os membros da elite, que pagavam fortunas para degustá-las em restaurantes, diretamente de uma panela de pressão caseira e sem toda a nanotecnologia envolvida na dispersão do óleo sobre os grãos. Tão rapidamente quanto ascendeu, the ultimate pipoca despencou no ostracismo. Os equipamantos de medição de densidade e de teleporte foram vendidos para vários países do Terceiro Mundo – lar dos Thundercats® –, onde foram empregados na seleção de nacos de lã recém-tosada em várias fazendas de criação de animais lanosos. Após refletir sobre toda a questão das pipocas, ninguém aprendeu nada. Não há o que aprender sobre pipocas. |

August 15, 2006
A saga da uva Posted at 09:01 PM Odeio quando a chuva é mais vento que chuva e me faz pendurar as sacolas no cabo do guarda-chuva Para usar todas as rimas cretinas vou terminar o poema com "uva" |

August 27, 2006
Palavras do tio Ben Posted at 12:34 AM "You take a mortal man And put him in control Watch him become a god Watch peoples heads a'roll" Megadeth, Countdown to Extinction (1992): Symphony of Destruction - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Estava ouvindo essa música e lembrando de como a letra é divertida – e de como o Megadeth tem várias letras acima da média. Sem contar que o clipe é lindo: político sorrindo com uma criança no colo enquanto a bandeira dos EUA queima no fundo, além de uma passagem rápida, quase subliminar, em que a bandeira está de ponta-cabeça. Deveria passar na TV entre 3 e 4 da manhã. Como tudo mais que já foi alguma vez gravado em vídeo, está no YouTube, preservado para sempre (ou até o próximo colapso tecnológico que destruirá a Rede e deixará milhões de nerds desconsolados): Symphony of Destruction - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - "Just like the Pied Piper Led rats through the streets We dance like marionettes Swaying to the Symphony... of Destruction" |

August 29, 2006
Cream Kraken Posted at 09:40 PM Só por curiosidade, estava conferindo a propaganda eleitoral na TV. Muito bizarro; não lembrava de ser assim da última vez que havia assistido. Parecia um desses sites de procurar crack*: cores berrantes, muitas coisas em pouco espaço – várias delas piscando e rodando – e putaria explícita aqui e ali. (Pô, tinha a múmia do Gervásio...) Era tudo muito vermelho ou muito azul ou muito multicolorido, e sempre com uma photoshopagem feroz. E quanto maior o partido, maior o circo. Ainda assim, foi divertido ver em movimento os bonecos que já tinha visto tantas vezes posando nos santinhos que passaram lá pela gráfica. Santinho, que coisa poser; vou votar no partido mais obscuro que puder encontrar. * "Crack" de programas de computador, naturalmente. Não vão entender que eu uso essas tecnologias mudernas para comprar drogas na comodidade do meu lar! Eu sou um cara tradicional: droga boa é aquela colhida diretamente no morro, adubada com presuntos frescos. |
