Entries for September, 2006
September 5, 2006Trabalho de vaca Posted at 01:14 AM E há o Good Mais!, que não desejo para ninguém. Estou desenvolvendo esse incômodo impulso de comprar toda sorte de bobagens que vejo no supermercado. Espremido no espaço reservado aos produtos semi-underground, avistei um depretensioso grupo de pacotes até simpáticos. Não posso dizer que não fui avisado, pois a palavra "soja" estava impressa 4 vezes na frente de cada pacote – mas eles também prometiam sabores como queijo e bacon, e isso é desleal. Analisando friamente, não sei como fui levado a acreditar que gostaria dessa maldição. Um petisco feito com proteína de soja não transgênica, livre de gorduras "trans" (whatta...?), com 50% menos sódio, não frito, sem glúten... raios! Não tem absolutamente nada do que eu consumo! "É um pacotinho pequeno," eu pensei, "se não gostar, não tem problema, não é como se tivesse que jogar meio quilo no lixo." Pois bem: utilizando as matérias-primas certas, é bem provavel que lixo frito seja mais saboroso que Good Mais! Não consigo descrever a sensação de abandono que alguém sente ao mastigar essa abominação. Você perde a esperança na humanidade, imaginando o que leva alguém a oferecer isso aos seus semelhantes – e pior, cobrando 4 centavos o grama. Tem gosto de papelão mumificado em uma câmara de vácuo, misturado com veneno de rato e sujeira que acumula atrás da estante do almoxarifado. Tudo isso aglutinado com SuperBonder, tendo-se o cuidado de garantir que a mistura seja composta em 50% por sal. Por algum ímpeto que só pode ser justificado por tendências masoquistas secretas, eu continuei comendo essa desgraça solidificada até o fim do pacote, fazendo cara de quem lambe um bloco de esterco. (Aliás, esterco frito deve ser mais saboroso que Good Mais!) O único lado positivo disso tudo seria a oportunidade de aprender a evitar esse tipo de tortura no futuro. Como eu não tenho memória, porém, vou esquecer o que aprendi em breve e acabar comprando a próxima armadilha saudável pseudo-industrializada que encontrar. (Analisando em retrospecto, até que tive bastante sucesso em evitar as batatas fritas de banana de UFSC.) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Parafraseando aquela personagem que não lembro o nome, do extinto seriado (que não lembro o nome) do Drew Carey, sobre carne de soja: "Nunca deixe um vegetal fazer o trabalho de uma vaca." - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - "A soja é logicamente um animal – e mamífero. Eu já vi leite de soja para vender." (Daniel) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - "Sunshine!" (Moita. Comentário extraído de uma ocasião totalmente não relacionada.) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - "Não entendi a moral daquele teu post." (Diego, que certamente não leu o suficiente para identificar o padrão dominante n'As aventuras...) |

September 14, 2006
Macarrão é a mãe Posted at 11:32 PM Parado em frente ao Rei Bingo, lá estava o carro eleitoral do Macarrão, "o candidato do metrô". Com direito a maquete em cima (incluindo uma esclarecedora placa que dizia "maquete"), mostrando em escala extremamente não natural como ficariam os trilhos elevados sobre a rua. Juro que não sabia que ele estava com essa. Idéia tentadora – no mínimo, por ser insana –, mas sabemos que não sai do papel. Não antes do T-800 revisitar o presente. Sem contar os perigos revelados no episódio d'Os Simpsons sobre o monotrilho de Springfield. Centro / São José / Palhoça / Biguaçu. Hahaha... e o pior é que o projeto existe. Mas já sei como escolher em quem votar: vou ser um bom discordiano e procurar os candidatos mais chaotic neutrals à disposição – preferencialmente aqueles que tenham uma mínima chance de serem eleitos através de uma grande brincadeira do destino, como a HH. Votar só de zoeira não dá, quero ver o caoísmo em prática. |

September 20, 2006
Clique aqui para ler o título Posted at 12:42 AM Eu fiquei impressionado. Não porque a suposta Cicarelli fez de tudo na praia ou porque o vídeo vazou para a Internet, mas porque ABSOLUTAMENTE TODO MUNDO assistiu essa desgraça. Deve ter sido um recorde de divulgação via Rede, só o Steve não viu. E foi lançado quando, segunda? Nem o sanduíche-íche se espalhou tão rápido, nem a dublagem do Batiman conseguiu cativar um público tão diverso. Lá na gráfica, quando a obra era citada, todo mundo confirmava que já tinha visto. Na rua já nem comentavam mais, era notícia velha – que rendeu até "matéria" de "capa" em "jornal" (desses que oferecem brindes em troca de 40 selos, mas vá lá). O sinal mais claro de que o negócio se difundiu anormalmente rápido foi nem ter dado tempo de surgir os spams de "Clique aqui para ver o vídeo da Cicarelli!!!" (Ainda que tenham aproveitado o embalo para fazer coisas como isso aqui. De forma bem intencionada, aliás; e cretino como a vida deve ser.) |

September 28, 2006
Atentados para deter gente Posted at 12:08 AM Quando fico realmente deprimido, eu me permito comprar todo tipo de bobagens que, em outro momento, consideraria extravagantes. Incrível, eu sei: sou a única pessoa do mundo que faz isso. Ontem, achei que estava triste o bastante para merecer vinho. Geralmente resisto à idéia de beber sozinho, mas estava convencido de que me faria sentir melhor. Não comprei a garrafa mais barata, porque isso é deprimente por si só; por outro lado, não me perdoaria depois por gastar muito em um capricho. Segunda ou terceira mais barata está de bom tamanho. Naturalmente, precisei comprar também uma taça, porque não iria beber vinho num copo comum, como um animal. Não de todo surpreso, percebi que não me ajudou em nada. Depois do breve contratempo de abrir a garrafa, não consegui matar nem um terço. Não tem mesmo jeito de conseguir beber sozinho. Pensei que, já que a taça era minha, poderia quebrá-la jogando num canto para fingir revolta, só para ouvir minha mãe sussurando na manhã seguinte "Meu Deus, ele virou alcoólatra!" (Hahaha, que doença.) [comum como um comum com um comum] Não fiz isso; é uma taça bonita, e fiquei vários minutos escolhendo no mercado. Ainda assim, iniciei hoje uma série de pequenos atentados domésticos para ensinar minha mãe que entrar no meu quarto e mexer nas minhas coisas não compensa. Escondi uma ou outra coisa pela casa, virei todos os potes da cozinha de cabeça para baixo e "reorganizei" vários objetos no armário da sala. Ainda estou tentando decidir qual seria a coisa mais improvável de se encontrar dentro do liquidificador. (Vegetais são muito previsíveis e o calendário da cozinha é muito grande. As cadeiras também. Meu pai comprou um fogão elétrico, então ninguém mais liga para os fósforos.) (Hmmm... detergente... acho que merece alguns testes.) |

September 28, 2006
Prefiro o da moça Posted at 12:41 AM A menina do Subway do Angeloni – a Jose – é muito desmotivada. Geralmente os atendentes de fast-food são assustadoramente (e artificialmente) empolgados; a Jose, não. Outro dia, virou e perguntou: "Escuta, tu não enjoas de comer esses sanduíches? Eu não agüento mais! Todo dia, todo dia..." Eu sou obrigado a rir, por mais que seja realmente triste. Naturalmente, ela já decorou todas as minhas preferências, eu só fico supervisionando o processo de montagem. "Atum... tu gostas de atum? Eu tenho medo de provar isso, frutos do mar também. Sei lá, tipo, olha isso... argh!" Muito inspirador. E hoje encontrei no banheiro o dono da loja de sucos, onde eu comia antes do Subway abrir. Ele veio dizendo que eu estava sumido, queria saber por onde tinha andado; eu tinha a desculpa de estar escovando os dentes e respondi "Nhanhanha, nhá!" Pois o desgraçado ficou zanzando pelo banheiro e não pude manter a desculpa por muito tempo, meu braço já estava doendo de tanto escovar. Ele é gente boa – talvez um pouquinho carioca demais –, eu não podia simplesmente sair correndo ou fingir autismo repentino, como costumo fazer nesses casos. cara: "E então velho, não apareceu mais por lá..." Michel: "Pô, cara, abriu o Subway lá na frente." cara: "Ah, você gosta do Subway", falou meio contrariado. "Mas vem cá, tu nem provou a minha baguete." [Eu hein... hahaha... mas evitei fazer piadinhas. Tentei responder de um jeito que não ferisse os sentimentos dele.] Michel: "Temo que ela não vá ser... industrializada o bastante." cara: "Ah, tu gosta de coisa industrializada." Michel: "É." cara: "Sei. Bom, falou, velho." Ele fez uma cara feia e saiu. Tão feia que acho que vai me negar serviço se eu for na loja dele outra vez. Ou vai fazer piadinhas do tipo "Voltou, né, filho pródigo?"; mas aí vou ter o contra-ataque do "Se achou ruim, posso ir no Subway, fica logo ali." |

September 28, 2006
Até parece Posted at 12:53 AM Fábio: "Tem um amigo meu que não gosta de álbuns ao vivo." Michel: "Sim, sou eu." Fábio: "Não, é um amigo que parece o Geddy Lee." Michel: "Pois então, Fábio, sou eu mesmo. Eu sou o seu amigo que parece o Geddy Lee." Fábio: "Mas eu tenho outro amigo que também parece o Geddy Lee." [Como assim? Que ultrage! Eu pareço o Geddy Lee há muito mais tempo, exijo ser reconhecido como a única cópia legítima do original! Esse outro amigo se parece é comigo!] |

September 29, 2006
Menos vinho Posted at 12:25 AM Porra, e o Sagaz ainda me vem com essa. Ataque-surpresa, viu? E doeu. |

September 29, 2006
Debate uma pro Amin Posted at 01:00 AM O debate foi mais divertido do que eu imaginava. Quer dizer, "divertido". Como o Cristovam é café-com-leite, todo mundo era amiguinho dele. Se bem que isso me pareceu uma estratégia premeditada: Alckmim e Heloísa trocavam farpas entre si para mostrar seu ímpeto, mas aproveitavam os duetos com o Cristovam para mostrarem-se mais "humanos" e amigáveis e sociáveis e convidáveis para o almoço de domingo. Aliás, o Cristovam era disparado a pessoa com o discurso mais lúcido. E ele tem essa coisa de parecer um tio empolgado e carinhoso. E o PDT até que não é um partido tão nojento assim. Pena que ele não seja chaotic neutral. Mas o ponto alto certamente foi a pergunta do Alckmin. Bill Bonner: "Candidato Geraldo Alckmim, para quem deseja dirigir sua pergunta?" Geraaaldo: "Eu quero fazer a minha pergunta para o Lula, que não veio ao debate." (Close na cadeira vazia, com a plaquinha "Lula".) Geraaaldo: "Diga-me, Lula, por que foi que você não veio? Você não respeita os eleitores?" (Close na cadeira do Lula, agora claramente constrangida.) Geraaaldo: "Você não acha importante dizer às pessoas quais são suas propostas? Você não acha que deveria falar sobre o problema de corrupção do seu governo?" (Close na cadeira, que permanece incapaz de dizer uma palavra ou esboçar qualquer reação.) Aliás, que coisa feia o Lula fez. Foi muito "Já que eu estou ganhando, vou evitar a possibilidade de me embananar na TV". Muito estratégico; ele tem andado demais com o pessoal de marketing. |
