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As aventuras do Super Micheranja
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December 7, 2006
Headbanger way of (preserving your) life
Posted at 10:17 PM

Vejam bem: eu não tenho nada contra pessoas gordas – nem contra bundas –, mas ontem eu fui atacado pela maior bunda que eu já vi. Isso é traumático.

Estava tranqüilamente largado no assento do ônibus, concentrado na tarefa de não pensar em absolutamente nada, quando todo o espaço que costuma haver no planeta subitamente desapareceu, um segundo antes de se ouvir um "Licença" vindo da direita. Com algum esforço, consegui me virar e ver que uma enorme bunda estava me pressionando contra a janela. Após um bocadinho mais de esforço, consegui ver que havia uma mulher em cima daquela bunda.

Não sei se vocês estão imaginando direito: pensem grande. A mulher em si não era especialmente grande ou gorda, mas a bunda sim. Ela tinha aquele formato de coxinha de galinha – mas a parte de baixo era tão grande que estava trancando o meu ombro.

Longe de mim dizer que bundas gigantes (acompanhadas de mulheres ou não) devam ser impedidas de ocupar um lugar no ônibus. Mas está justamente aí o detalhe: UM lugar. Cada assento tem bem definido o espaço de cada pessoa, e a etiqueta do transporte público determina que não é de bom tom invadir o espaço alheio. Eu, inclusive, deixo uns 10% a 15% do meu espaço de direito inutilizado (por pura falta do que pôr ali) e não me importo se a pessoa do lado quiser usar. Mas 50% é um corte brutal. E a bunda ainda tentava tomar mais! Porra, põe uma perna no corredor, eu preciso respirar. E lá vinha ela, inclemente, rastejando inexorável e corrompendo todo o terreno que conseguia usurpar. Gelatinous cube in real life.

Até tentei um contra-ataque, mas não fui capaz de posicionar meus ossos pontudos de maneira eficiente para repelir a agressora. (A única situação até hoje onde ter ossos pontudos me ajudaria de alguma forma...) Quando tudo parecia perdido – e eu já estava me conformando com a idéia de ser absorvido e aumentar a massa total do monstro –, a bunda partiu. Não posso arriscar passar por isso de novo, não posso me deixar à mercê da sorte; preciso de braceletes de espinhos.


November 25, 2006
I'm back
Posted at 11:53 PM

Como um cidadão "não-cristão" médio – e vou encerrar aqui a descrição de minhas convicções religiosas para evitar polêmica –, causa certo incômodo ser ocasionalmente chamado de Jesus, mas entendo o motivo. Creio que isso aconteça com qualquer um cuja barba cresceu além da conta e que tenha o cabelo típico de um andarilho do deserto e um vestuário de aspecto pré-medieval. Mas fiz a barba hoje, o que certamente marca a volta das comparações com Geddy Lee. (E Joey Ramone, quando houver óculos escuros de bobeira.)


November 20, 2006
Homem que é homem
Posted at 01:22 AM

Vocês ainda vêm aqui? Wow. Em sinal de respeito e admiração por todos os meus fiéis e obstinados leitores – aka Hique e Renata –, vou dividir com vocês uma história longa e engraçada. De fato, como diria o vovô Simpson, é uma história muito mais longa do que engraçada... então, em vez dela, ficaremos com a seguinte:

Dia desses, a Coruja dizia "meus amigos gays são mais homens que meus amigos heteros". Eu achei que não fazia o menor sentido. Ela acrescentou que os primeiros tinham muito mais "atitude, iniciativa e decisão" que os últimos. Agora sim, achei a frase inicial (1) extremamente sem sentido e (2) machista. Mulheres não podem ter essas características, não? Coruja tentou se safar com um "isso estaria no lado homem de toda mulher", mas não colou. Desde quando são essas coisas que definem o gênero masculino? As mulheres são mesmo muito ingênuas; ser homem não tem nada a ver com essas coisas.

Para compreender o que significa realmente ser homem, precisamos analisar o modelo de formação do caráter masculino em todas a fases da vida: as histórias em quadrinhos. E já que estamos sendo muito corretos e científicos, apresentarei três breves estudos de caso sobre super-heróis populares entre homens e o porquê dessa popularidade.

Super-Homem: "Ah, um exemplo clássico, o arquétipo da nobreza de caráter e da defesa do bem, dos valores universais." Nada disso! Todos os homens gostariam de ser Super-homens, mas não por essa viadagem toda aí de cima. Coruja pode acrescentar "nobreza" na lista de qualidades que fez, porque é uma característica gay. Agora, ser à prova de balas, parar veículos com demonstrações gratuitas de força bruta e poder ficar parado fazendo média, sem nem precisar dizer nada, sabendo que sus hermanos estão odiando e invejando secretamente toda essa demonstração de "olha como eu sou foda, só eu consigo fazer": ISSO é o que faz os homens lerem Super-Homem. (Na verdade, Super-Homem é um saco, estou generalizando de forma genérica.) Tudo bem que existe essa papagaiada da nobreza e tudo mais, mas essas coisas estão lá justamente para tentar aliciar leitoras, que esperam um pouco mais de profundidade no que lêem.

Batman: Exemplo muito melhor. Não apenas não vem acompanhado dessa história de ser bonzinho – com exceção dos filmes, onde não é representado fielmente como o magnata playboy capitalista interessado em salvar a cidade dele porque é a cidade DELE –, como personifica uma característica tipicamente masculina: compensar sua incapacidade de parar balas e arremessar veículos cercando-se de todo tipo de brinquedos e parafernálias tecnológicas (geralmente envolvendo balas e veículos). Mais uma vez, o objetivo final é causar ódio e inveja secreta, embora agora seja necessário dizer em voz alta "olha como eu sou foda, só eu tenho essas coisas".

Homem-Aranha: É até triste falar do "amigo da vizinhança" depois das atrocidades envolvendo o Tobey Maguire*. Não entendo COMO o Stan Lee permitiu que transformassem o mestre dos trocadilhos, das piadas infames e da atitude "olha, eu não sou foda, mas vou zoar muito com você simplesmente porque eu posso" num bebê chorão pateta sem graça sem humor sem piadas – deuses, como isso, sem piadas constantes?

* A única esperança para essas adaptações é mesmo o Venom (trailer do Homem-Aranha 3, Venom Venom Venom Venom Venom =), e o único jeito de estragar isso seria ter o Sammy dirigindo de novo. (What? Said what? Oh crap...) Agora: eles têm um cara escalado para ser o Eddie Brock**, o trailer tem a cena do sino da igreja; não é possível que, na última hora, eles decepcionem todos com um lousy Venom de 10 segundos – ou pior, um "continua no próximo episódio" sem Venom. Pensando bem, eles já decepcionaram duas vezes; então é bem possível, sim.

** Hahahaha! Ohmygods! Asterisco dentro de asterisco deve ser uma gafe literária, mas acabei de conferir quem vai fazer o Venom: Topher Grace. Sabem quem é essa desgraça do Topher Grace? Eric "That '70s Show" Forman Topher Grace. Esse mundo não tem mais jeito. MORRA, SONY PICTURES!


October 30, 2006
Aventuras compactas, parte I
Posted at 12:06 AM

Resumindo: compactarei dois relatos em um único post, eventos da semana retrasada e da passada que não postei antes por falta de tempo + falta de ânimo + falta de chocolate + falta de sentido geral.

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Alguns espaços lá da gráfica mudaram de lugar e agora a masmorra sala da arte-final fica logo atrás da gerência, separada por vidro da metade da parede para cima. Através deste mágico artifício, pude ver um aviso de segurança qualquer no computador do Sr. Carlos (cuja identidade não será revelad... oh crap!), seguida por um olhar aflito do próprio na minha direção. Como bom rapaz-da-informática que sou, fui averiguar o ocorrido: o Windows acusava que uma mensagem de e-mail poderia estar infectada com vírus. A mensagem em questão vinha com o anexo "lulinha.scr"; expliquei que não era muito saudável abrir qualquer anexo com essa extensão, independente de vir de uma pessoa conhecida. "Mas é que eu fiquei curioso", ele disse. E lá fui eu ver a mensagem:

"gente, vejam o presidente Lula tranzando!" (sic)

Até tentei dar um sermão sobre os perigos da Internet, enquanto o Sr. Carlos olhava com cara de criança que fez uma bobagem que não sabe consertar, mas eu estava muito muito concentrado tentando não explodir de rir.

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Já desde o começo da semana que passou, estava me sentindo um lixo. Um grande monte de lixo especialmente irritado. Estava escovando os dentes quando fui interrompido por um senhor, dizendo "Nos meus tempos de jovem, os rapazes ficavam rindo de mim porque eu fazia isso." Após alguns segundos de silêncio constrangedor, ele completou com "Eles achavam que era frescura minha."

Eu estava no humor maligno ideal para responder "Sorry to know you were seen as the loser of you time, but I'm afraid I'm the loser of mine anyway, so you're babbling for nothing." Mas eu sinto essa simpatia natural por pessoas velhas e não consigo ser rude com elas, então falei alguma coisa velha qualquer como "É melhor cuidar do que consertar depois, né?" E ele entendeu isso como incentivo para contar suas aventuras sobre higiene pessoal! Oh gods! Eu disse "Boa tarde" quando encontrei uma brecha e sai rapidamente, mas ele continuou falando. E o pior é que sinto falta de trocar trivialidades com pessoas aleatórias. Será que só vou ter tempo de fazer isso novamente quando estiver muito velho?



October 29, 2006
Master of Muppets
Posted at 09:24 PM

Perseguição, só pode ser. A única alternativa para quem não queria votar em um candidato careca era outro extremamente careca. Existe algum impedimento legal para que um headbanger se candidate ao governo? Vai, me diz. Imagina: Gnomo "Fextenha" comandando o Estado. Fexteeenha para todos. Que proposta pode ser melhor do que essa?

"E faz diferença se o cara tem cabelo ou não?" Bom, eu preciso de algum critério objetivo de desempate, porque tem sido realmente difícil escolher governantes pelas opções postas. Confiabilidade do candidato 1: zero. Confiabilidade do candidato 2: zero. Idéias defendidas pelo partido 1: questionáveis. Idéias defendidas pelo partido 2: certas, porém odiosas. Se for escolher entre Amin e Luiz The Pigmen pelo histórico político, dá na mesma.

Mas decidi, enfim, como tomar essas decisões quando não faz diferença. É uma idéia que eu já vinha amadurecendo em algumas conversas e coloquei em prática já neste segundo turno. Dentre dois candidatos que não prestem, voto no que for mais parecido com um muppet. Amin e Luiz Henrique? Amin, disparado; tartaruga de pelúcia. Lula e Geraaaldo? Vegetal não pode ser muppet, então Lula. E Enéas na cabeça sempre que aparecer. Assim, estarei contribuindo para um país mais animado. Encontros entre lideranças internacionais serão muito mais divertidos com essa interação humano-boneco, à la Roger Rabbit. Quando discursos e pronunciamentos forem muito chatos, as pessoas podem se distrair olhando os movimento labiais e se perguntando: "Como é que eles fazem isso? Com barbantes?"

E vou aguardar ansioso até o dia em que poderei votar no space muppet supremo, Mestre Yoda – direito que me foi tomado, agora que as urnas são eletrônicas e ninguém mais pode anular seu voto escrevendo "Romário".


September 29, 2006
Debate uma pro Amin
Posted at 01:00 AM

O debate foi mais divertido do que eu imaginava. Quer dizer, "divertido". Como o Cristovam é café-com-leite, todo mundo era amiguinho dele. Se bem que isso me pareceu uma estratégia premeditada: Alckmim e Heloísa trocavam farpas entre si para mostrar seu ímpeto, mas aproveitavam os duetos com o Cristovam para mostrarem-se mais "humanos" e amigáveis e sociáveis e convidáveis para o almoço de domingo.

Aliás, o Cristovam era disparado a pessoa com o discurso mais lúcido. E ele tem essa coisa de parecer um tio empolgado e carinhoso. E o PDT até que não é um partido tão nojento assim. Pena que ele não seja chaotic neutral.

Mas o ponto alto certamente foi a pergunta do Alckmin.

Bill Bonner: "Candidato Geraldo Alckmim, para quem deseja dirigir sua pergunta?"

Geraaaldo: "Eu quero fazer a minha pergunta para o Lula, que não veio ao debate."

(Close na cadeira vazia, com a plaquinha "Lula".)

Geraaaldo: "Diga-me, Lula, por que foi que você não veio? Você não respeita os eleitores?"

(Close na cadeira do Lula, agora claramente constrangida.)

Geraaaldo: "Você não acha importante dizer às pessoas quais são suas propostas? Você não acha que deveria falar sobre o problema de corrupção do seu governo?"

(Close na cadeira, que permanece incapaz de dizer uma palavra ou esboçar qualquer reação.)

Aliás, que coisa feia o Lula fez. Foi muito "Já que eu estou ganhando, vou evitar a possibilidade de me embananar na TV". Muito estratégico; ele tem andado demais com o pessoal de marketing.


September 29, 2006
Menos vinho
Posted at 12:25 AM

Porra, e o Sagaz ainda me vem com essa. Ataque-surpresa, viu? E doeu.


September 28, 2006
Até parece
Posted at 12:53 AM

Fábio: "Tem um amigo meu que não gosta de álbuns ao vivo."

Michel: "Sim, sou eu."

Fábio: "Não, é um amigo que parece o Geddy Lee."

Michel: "Pois então, Fábio, sou eu mesmo. Eu sou o seu amigo que parece o Geddy Lee."

Fábio: "Mas eu tenho outro amigo que também parece o Geddy Lee."

[Como assim? Que ultrage! Eu pareço o Geddy Lee há muito mais tempo, exijo ser reconhecido como a única cópia legítima do original! Esse outro amigo se parece é comigo!]


September 28, 2006
Prefiro o da moça
Posted at 12:41 AM

A menina do Subway do Angeloni – a Jose – é muito desmotivada. Geralmente os atendentes de fast-food são assustadoramente (e artificialmente) empolgados; a Jose, não. Outro dia, virou e perguntou: "Escuta, tu não enjoas de comer esses sanduíches? Eu não agüento mais! Todo dia, todo dia..." Eu sou obrigado a rir, por mais que seja realmente triste. Naturalmente, ela já decorou todas as minhas preferências, eu só fico supervisionando o processo de montagem. "Atum... tu gostas de atum? Eu tenho medo de provar isso, frutos do mar também. Sei lá, tipo, olha isso... argh!" Muito inspirador.

E hoje encontrei no banheiro o dono da loja de sucos, onde eu comia antes do Subway abrir. Ele veio dizendo que eu estava sumido, queria saber por onde tinha andado; eu tinha a desculpa de estar escovando os dentes e respondi "Nhanhanha, nhá!" Pois o desgraçado ficou zanzando pelo banheiro e não pude manter a desculpa por muito tempo, meu braço já estava doendo de tanto escovar. Ele é gente boa – talvez um pouquinho carioca demais –, eu não podia simplesmente sair correndo ou fingir autismo repentino, como costumo fazer nesses casos.

cara: "E então velho, não apareceu mais por lá..."

Michel: "Pô, cara, abriu o Subway lá na frente."

cara: "Ah, você gosta do Subway", falou meio contrariado. "Mas vem cá, tu nem provou a minha baguete."

[Eu hein... hahaha... mas evitei fazer piadinhas. Tentei responder de um jeito que não ferisse os sentimentos dele.]

Michel: "Temo que ela não vá ser... industrializada o bastante."

cara: "Ah, tu gosta de coisa industrializada."

Michel: "É."

cara: "Sei. Bom, falou, velho."

Ele fez uma cara feia e saiu. Tão feia que acho que vai me negar serviço se eu for na loja dele outra vez. Ou vai fazer piadinhas do tipo "Voltou, né, filho pródigo?"; mas aí vou ter o contra-ataque do "Se achou ruim, posso ir no Subway, fica logo ali."


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